PÉLICO – QUE ISSO FIQUE ENTRE NÓS!
Com menos guitarra e mais cordas, o terceiro álbum do cantor e compositor paulistano Pélico, Que Isso Fique Entre Nós, lançado em julho de 2011 pela gravadora YB Music. Produzido por Jesus Sanchez, baixista da banda de Pélico, o disco se afasta do tom roqueiro de seu antecessor, O Último Dia de um Homem sem Juízo (2008), na busca por som despudoramente romântico. O detalhe é que o texto de apresentação de Que Isso Fique Entre Nós é assinado por ninguém menos do que Tulipa Ruiz. A cantora descobriu Pélico na internet, ouviu a música do artista e gostou a ponto de escrever texto que situa corretamente o disco, apontando influências como o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 – 1974) e o escritor Nelson Rodrigues (1912 – 1980). Eis o ótimo texto de Tulipa sobre Que Isso Fique Entre Nós: “A primeira vez que trombei com o som de Pélico foi na internet. Seu perfil denunciava que ele não tinha ganho nenhum festival, não era filho de ninguém e justamente por isso estava “pronto para o estrelato”. Achei divertido e isso me levou a clicar em todas suas músicas e vídeos. Gostei muito do que ouvi e passei a acompanhá-lo. Como cantora, fico impressionada com a voz de Pélico. Minha sensação foi a de que ele teve muito tempo para entender o que fazer com a própria voz e deu um jeito de experimentá-la de diversas regiões. Quando o conheci pessoalmente foi difícil associar seu rosto a todas aquelas vozes. Ele precisaria ter mil caras para justificar o que eu tinha ouvido. “Que Isso Fique Entre Nós” Para nosso desfrute, o Pélico fez um disco novo. Com todas as suas vozes. “Menos esquizofrênico”, diz ele. Duvido. Pélico esquizofreniza o amor no terceiro álbum. As boas línguas dizem que ele ouviu Ataulfo, Lupicínio, leu Nelson Rodrigues, rasgou o coração e fez um disco. “Menos guitarras e outros instrumentos”, anuncia. Vieram tubas, trompetes, trombones, clarinetas e fagotes para firular o nostálgico cenário d’amour. Produzido por Jesus Sanchez (Los Pirata), o disco traz elegantes arranjos de sopros e violinos feitos por Bruno Bonaventura e músicos poderosos como Régis Damasceno (Cidadão Instigado), Richard Ribeiro (SP Underground), João Erbetta (Los Pirata), Tony Berchmans e Guilherme Kastrup. São dezesseis músicas de amor. Ou melhor, desamor. Não, de solidão. Quer dizer, de esperança. Ou melhor, desapego. Ou pior, de saudade. Minto, de verdades. Com vocês, cinquenta minutos do novo Pélico. E que isso não fique apenas entre nós.” Tulipa Ruiz
THE WHO – QUADROFHENIA – EDIÇÃO DUPLA REMASTERIZADA RESGATA ÁLBUM CLÁSSICO E AINDA TRAZ BÔNUS
Depois do fenômeno Tommy, o que o The Who poderia oferecer como bis? Mais uma ópera rock. Só que desta vez, em vez de ter como tema o misticismo hippie, o quarteto inglês decidiu revisitar as raízes que forjaram sua identidade: a subcultura mod, que seduziu parte dos jovens da Inglaterra dos anos 60. Os mods adoravam R&B e soul music, mas nesse aspecto Pete Townshend, o líder do grupo e idealizador do projeto, não apelou para nada que fosse retrô. O som de Quadrophenia era o mais contemporâneo possível, pelo menos para 1973, o ano em que foi lançado. Mas mesmo Tommy teve canções com potencial para serem lançadas como single. Quadrophenia buscava uma maior unidade sonora. Por isso, à primeira audição, o disco pode parecer um tanto monótono e “sério” demais. Mas, com novas audições, ele vai crescendo, desvendando o poder de clássicos como “Love, Reign o’er Me”, “The Real Me” e “5.15”. Quadrophenia é relançado agora trazendo como bônus as demos que Townshend elaborou para o álbum.
MEIA DÉCADA DE ROLLING STONES NARRADA COM TEXTOS E FOTOS A HISTÓRIA DA BANDA QUE COMPLETA 50 ANOS EM 2012 É APRESENTADA EM ”ROLLING STONES: 50 ANOS DE ROCK”
A banda Rolling Stones nasceu em 1962 e, em 1969, um ano crucial na história da música, assumiu o manto e a coroa de maior entidade de espetáculos ao vivo de rock and roll. Neste ano, sua turnê triunfante pelos Estados Unidos desencadeou uma tempestade que lhes deu combustível até os anos 1980. Depois de um período sombrio, voltaram ao palco em 1989 e gastaram a maior parte das duas décadas seguintes fazendo turnês pelo mundo e reafirmando constantemente o seu lugar na história. Impossível esquecer seu impressionante catálogo de discos. ”Beggars Banquet”, ”Aftermath”, ”Exile on Main Street” e ”Some Girls” são apenas alguns exemplos de obras atemporais e qualquer uma delas, por si só, poderia ser considerada uma façanha capaz de definir uma carreira. O fato de cada uma marcar um momento significativo ao longo da carreira de espetáculos teatrais de um único ato é mais uma prova da grandeza dos Rolling Stones. Eles também cultivaram muitas imagens: bad boys, aristocratas internacionais, exilados e drogados, a velha guarda e o grupo a ser batido. Diante de todas as oposições e obstáculos, muitos dos quais criados por eles mesmos, os Rolling Stones sempre saíram vitoriosos. Este livro, ”Rolling Stones: 50 anos de Rock”, publicado pela Escrituras Editora, é uma história sucinta de sua atividade desde 1962 e esclarece muitos eventos-chave e façanhas artísticas da “Maior Banda de Rock and Roll do Mundo”. A obra apresenta formato diferenciado, com capa flexível e mais de 150 fotos. Serviço: ”Rolling Stones: 50 anos de Rock” – Autor: Howard Kramer – Tradução: Dinah de Abreu Azevedo – Páginas: 274 – Preço: R$ 86,00. Escrituras Editora.
A PRIMAVERA DO DRAGÃO: A JUVENTUDE DE GLAUBER ROCHA
Glauber Rocha entrou para a história como o diretor que inventou uma maneira de se fazer filmes no Brasil. Coube a ele a tarefa de chamar a atenção para a importância da dramaturgia, dos temas, dos argumentos que privilegiassem os personagens do povo e suas contradições. Com o esgotamento dos polos cinematográficos de São Paulo e Rio de Janeiro na década de 60, representados pela Vera Cruz e Atlântida respectivamente, Glauber deixou de lado os aparatos da “máquina de fazer sonhos”, e passou a filmar em locações com “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, o lema do Cinema Novo. O nascimento deste vulcão criativo, libertário e falastrão, que virou mito e ajudou a moldar a cultura brasileira, é o tema do livro de Nelson Motta, que fez um recorte dessa trajetória, desde o nascimento até os 25 anos, quando Glauber se consagrou no Festival de Cannes com o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Motta baseou-se em entrevistas com a mãe de Glauber e com os amigos de primeira hora, como João Ubaldo Ribeiro, Calazans Neto, Orlando Senna, Helena Ignez, entre outros, e acabou contestado por personagens citados e não ouvidos. Além disso, os reclamantes apontam no livro erros factuais, trocas de nomes de personagens e argumentam que a edição deveria ser recolhida. As críticas são válidas, mas não se pode negar o mérito da pesquisa. A PRIMAVERA DO DRAGÃO: A JUVENTUDE DE GLAUBER ROCHA – Editora: Objetiva – Autor: NELSON MOTTA – Ano: 2011 – Edição: 1 – Número de páginas: 368 – Acabamento: Brochura
CAETANO VELOSO E DAVID BYRNE LANÇARÃO ÁLBUM CONJUNTO AO VIVO
Live At Carnegie Hall foi gravado em 2004 e conta com canções de ambos, além de hits do Talking Heads; “(Nothing But) Flowers” e “Heaven”. Caetano Veloso e o ex-vocalista do Talking Heads, David Byrne, lançarão um álbum conjunto ao vivo no dia 13 de março. Live At Carnegie Hall, gravado em 2004, tem repertório baseado nas carreiras solo de ambos e conta ainda com hits do Talking Heads. As informações são do site Pitchfork. O show conta com apresentações conjuntas e solo, que são acompanhadas pelo cellista Jaques Morelenbaum e o percussionista Mauro Refosco, que recentemente veio ao Brasil como músico de apoio do Red Hot Chili Peppers. “Sampa”, “O Leãozinho”, “(Nothing But) Flowers” e “Heaven” são algumas das músicas do repertório.
REPERTÓRIO:
1 – “Desde Que o Samba é Samba”
2 – “Você É Linda”
3 – “Sampa”
4 – “O Leãozinho”
5 – “Coração Vagabundo”
6 – “Manhatã”
7 – “The Revolution”
8 – “Everyone’s in Love With You”
9 – “And She Was”
10 – “She Only Sleeps”
11 – “Life During Wartime”
12 – “God’s Child”
13 – “Road to Nowhere”
14 – “Dreamworld: Marco de Canaveses”
15 – “Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê”
16 – “(Nothing But) Flowers”
17 – “Terra”
18 – “Heaven”
VENDA DE DISCOS DO CATÁLOGO DE ETTA JAMES AUMENTA 378% APÓS A MORTE DELA
O maior sucesso da cantora, “At Last”, foi parar em 29º lugar na parada de singles. A parada da Billboard anunciou que as vendas de álbuns e músicas de Etta James aumentaram consideravelmente após a morte da cantora, na última sexta, 20. O disco The Best of Etta James – 20th Century Masters: the Millennium Collection, foi da posição 162 para a de número 46, tendo vendido oito mil cópias, desde então. Isso significa um aumento de 149% em comparação à semana anterior. A soma da venda de todo seu catálogo chegou em um total de 30 mil cópias até a semana que terminou em 22 de janeiro, o que significa um aumento de 387% em relação à semana anterior.O mesmo aconteceu com “At Last”, o maior sucesso de Etta, que ficou em 29º lugar na lista da Billboard das músicas mais vendidas, com um total de 63 mil downloads na semana passada.
B.O.C.A. O NOVO PROJETO DO MARCELO YUKA NO CIRCO VOADOR
O Novo Projeto de Marcelo Yuka no CIRCO VOADOR. O espaço pretende ser referência na discussão de pensamentos e ideias socialmente ativas. Projetada para funcionar durante todos os eventos da programação do Circo Voador, a B.O.C.A. vai oferecer roupas, acessórios, discos independentes, objetos de arte, cartazes e telas que representem o conceito do projeto.
B.O.C.A – Brigada Organizada de Cultura Ativista
Por Marcelo Yuka
Em 2007, quando recebi o convite do Dr. Orlando Zaccone para iniciarmos um trabalho na carceragem de Nova Iguaçu, não imaginávamos aonde iria parar aquela simples iniciativa, mas a experiência nos mostrou que um espaço tão deserto de ações positivas, seria solo perfil para novas ideias e para a proliferação de ações de mudanças sociais. Daí, com a ajuda de vários profissionais e voluntários levamos um trabalho que incluiu cinema, biblioteca e educação. A excelente receptividade por parte dos presos e seus familiares originou a B.O.C.A – Brigada Organizada de Cultura Ativista. Como todo projeto nesta área, passamos por altos e baixos. A B.O.C.A seguiu sem apoio financeiro até chegarmos a esta parceria com o Circo Voador, que nos possibilitou este espaço que não será apenas para discutir questões ligadas a violência, mas também um espaço voltado principalmente ao estímulo e compartilhamento de ideias sejam vindos da academia ou da simples sabedoria popular. Após longos quatro anos, finalmente vamos inaugurar nossa sede com o apoio do Circo Voador que nos cedeu o espaço não só para ações dentro dos muros mas também para discutirmos, dividirmos e fomentarmos pensamentos socialmente ativos. Um espaço que tem a pretensão de contar com o brilho democrático e renovador do Circo Voador para cuidarmos de outros pontos de vista para o Comum e pelo Comum. Para isso Nossa sede tem a arte como viés e também expõe produtos que de alguma maneira representam o conceito buscado e idealizado pelo projeto. Lá vamos promover palestras, e também comercializar alguns artigos que representem todas as nossas atividades.
A VOZ E O TALENTO DE LUCINA NO PROGRAMA TAH LIGADO!
Nesta sexta-feira dia 03 de fevereiro às 16 hr pela www.alltv.com.br no PROGRAMA TAH LIGADO, Paulo Ragassi e Anabel Bian recebem nos estúdios da allTV a cantora e compositora LUCINA. LUCINA é compositora, cantora, pesquisadora e psicodramatista. Tornou-se conhecida através de suas canções, sucessos nas vozes de Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Nana Caymmi, entre outros; das gravações realizadas pela dupla Luli e Lucina da qual fez parte por muitos anos e através de seus 5CDs e DVD.Há muitos anos desenvolve um trabalho de oficinas de criatividade e composição musical e preparação vocal de atores e cantores. Lucina Iniciou sua carreira profissional como a cantora Lucinha, integrante do Grupo Manifesto, vencedor do Festival Internacional da Canção de 67. Com o grupo fez parte do elenco de apresentadores e cantores do programa musical semanal “O Mundo é Nosso” exibido na TV Continental e posteriormente na TV Excelsior. Contratada pela gravadora Phillips, Lucina inicia carreira solo com o pseudônimo de Lucelena. Assim, grava uma série de discos de Festivais e estréia como compositora ao ser classificada no VIII Festival da TV Record com uma música em parceria com Luis Vieira e em seguida é contratada pela TV Record de São Paulo. Em 72, forma a dupla Luli e Lucinha que, ao optar por gravar um disco independente no país no começo dos anos 80 assume um papel importante ao implantar essa possibilidade de produção no país. Com Antonio Adolfo, Danilo Caymmi, Francisco Mário, cria a Associação de Músicos Independentes que vai legitimar a produção musical independente como alternativa do mercado fonográfico brasileiro. A partir de 1982 passa a assinar seu nome artístico como Lucina. Ao longo de 25 anos, a dupla Luli e Lucina grava quatro LPs e três CDs, se apresenta em centenas de teatros, salas culturais, bares, festivais ao ar livre, projetos de várias Secretarias de Cultura e Instituições por todo o Brasil. Em 1986 produzem e apresentam o programa semanal radiofônico “Conversinha” (rádio USP/SP) e a partir de 1990 expandem internacionalmente seu trabalho nos palcos europeus, em países como Alemanha, França, Suíça e Holanda. Em 1998, Lucina lança seu primeiro CD solo Inteira pra Mim (Dabliú Discos) indicado para o prêmio Sharp de música de 99. Em 2002, lança o CD Ponto sem Nó (Rádio MEC) e em 2004 Gira de Luz (Luzes). De 7/2002 a 2/2003 idealiza e assina a direção musical e roteiro do programa musical Intimidade é Fato, gravado no teatro do SESC Pompéia, SP e exibido através do Canal Multishow. Em 2007 lança o CD A Musica em Mim (Duncan Discos) com a direção musical da maestrina Bia Paes Leme e produção de sua parceira Zélia Duncan. É selecionada para o Premio VISA de Compositores entre mais de 4000 inscritos e chega às semifinais. Em 2008 grava o DVD A Musica em Mim pelo Canal Brasil de televisão em show ao vivo com a participação de Ney Matogrosso, Joyce e Zélia Duncan. Nesse ano participa da expedição Água dos Matos, projeto contemplado pela Natura que veio unir a cultura com a consciência ecológica. Desce os rios Cuiabá e Paraguai levando às populações ribeirinhas nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, gratuitamente, oito shows musicais e oficinas de voz e corpo, de artes plásticas e de educação ambiental. Esse projeto gerou um DVD sobre as condições ambientais da região. Em 2010 lança o CD + Mais do que Parece (Flautim 55) onde registra repertório inédito em parceria com Zélia Duncan.
UM BRASILEIRO CHAMADO JOBIM
Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido como Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música brasileira pela revista Rolling Stone, e um dos criadores do movimento da bossa nova. É praticamente uma unanimidade entre críticos e público em termos de qualidade e sofisticação musical.
BIOGRAFIA – Nascido no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, Tom mudou-se com a família no ano seguinte para Ipanema, onde foi criado. A ausência do pai, Jorge de Oliveira Jobim, durante a infância e adolescência lhe impôs um contido ressentimento, desenvolvendo no maestro uma profunda relação com a tristeza e o romantismo melódico, transferido peculiarmente para as construções harmônicas e melódicas. Aprendeu a tocar violão e piano em aulas, entre outros, com o professor alemão Hans-Joachim Koellreutter, introdutor da técnica dodecafônica no Brasil. No dia 15 de outubro de 1949, Antônio Carlos Jobim casou-se com Thereza de Otero Hermanny (1985), com quem teve dois filhos, Paulo (n. 1950) e Elizabeth (1957). Em 30 de abril de 1986, ele casou-se com a fotógrafa e vocalista da Banda Nova, Ana Beatriz Lontra] que tinha a mesma idade de sua filha Elizabeth. Tom e sua segunda esposa tiveram dois filhos juntos, João Francisco (1979-1998) e Maria Luiza (1987). Declarou em entrevista à TV Globo, em 1987, que o Rio de Janeiro onde viveu sua infância era muito diferente do Rio que se encontrava na época da entrevista. Pensou em trabalhar como arquiteto, chegando a cursar o primeiro ano da faculdade e até a se empregar em um escritório, mas logo desistiu e decidiu ser pianista. Tocava em bares e boates em Copacabana, como no Beco das Garrafas no início dos anos 1950, até que em 1952 foi contratado como arranjador pela gravadora Continental, onde trabalhou com Sávio Silveira. Além dos arranjos, também tinha a função de transcrever para a pauta as melodias de compositores que não dominavam a escrita musical. Datam dessa época as primeiras composições, sendo a primeira gravada “Incerteza”, uma parceria com Newton Mendonça, na voz de Mauricy Moura. Depois da Continental, foi para a Odeon. Entretanto, não tinha tanto tempo para se dedicar à composição, que lhe interessava mais. É nesse época que compõe alguns sambas, em parceria de Billy Blanco: Tereza da Praia, gravada por Lúcio Alves e Dick Farney pela Continental (1954), Solidão e a Sinfonia do Rio de Janeiro. Tereza da Praia o primeiro sucesso. Depois disso, ocorreram outras parcerias, como com a cantora e compositora Dolores Duran, na canção Se é por Falta de Adeus. Em 1956 musicou a peça Orfeu da Conceição com Vinícius de Moraes, que se tornou um de seus parceiros mais constantes. Dessa peça fez bastante sucesso a canção antológica Se Todos Fossem Iguais a Você, gravada diversas vezes. Tom Jobim fez parte do núcleo embrionário da bossa nova. O LP Canção do Amor Demais (1958), em parceria com Vinícius, e interpretações de Elizeth Cardoso, foi acompanhado pelo violão de um baiano até então desconhecido, João Gilberto. A orquestração é considerada um marco inaugural da bossa nova, pela originalidade das melodias e harmonias. Inclui, entre outras, Canção do Amor Demais, Chega de Saudade e Eu Não Existo sem Você. A consolidação da bossa nova como estilo musical veio logo em seguida com o 78 rotações Chega de Saudade, interpretado por João Gilberto, lançado em 1959, com arranjos e direção musical de Tom, selou os rumos que a música popular brasileira tomaria dali para frente. No mesmo ano foi a vez de Sílvia Telles gravar Amor de Gente Moça, um disco com 12 canções de Tom, entre elas “Só em Teus Braços”, “Dindi” (com Aloysio de Oliveira) e “A Felicidade” (com Vinícius). Tom foi um dos destaques do Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall, em Nova York em 1962. No ano seguinte compôs, com Vinícius, um dos maiores sucessos e possivelmente a canção brasileira mais executada no exterior: “Garota de Ipanema”. Nos anos de 1962 e 1963 a quantidade de “clássicos” produzidos por Tom é impressionante: “Samba do Avião”, “Só Danço Samba” (com Vinícius), “Ela é Carioca” (com Vinícius), “O Morro Não Tem Vez”, “Inútil Paisagem” (com Aloysio), “Vivo Sonhando”. Nos Estados Unidos gravou discos (o primeiro individual foi The Composer of Desafinado, Plays, de 1965), participou de espetáculos e fundou sua própria editora, a Corcovado Music. O sucesso fora do Brasil o fez voltar aos EUA em 1967 para gravar com um dos grandes mitos americanos, Frank Sinatra. O disco Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim, com arranjos de Claus Ogerman, incluiu versões em inglês das canções de Tom (“The Girl From Ipanema”, “How Insensitive”, “Dindi”, “Quiet Night of Quiet Stars”) e composições americanas, como “I Concentrate On You”, de Cole Porter. No fim dos anos 1960, depois de lançar o disco Wave (com a faixa-título, Triste, Lamento entre outras instrumentais), participou de festivais no Brasil, conquistando o primeiro lugar no III Festival Internacional da Canção (Rede Globo), com Sabiá, parceria com Chico Buarque, interpretado por Cynara e Cybele, do Quarteto em Cy. Sabiá conquistou o júri, mas não o público, que vaiou ostensivamente a interpretação diante dos constrangidos compositores. Aprofundando seus estudos musicais, adquirindo influências de compositores eruditos, principalmente Villa-Lobos e Debussy, Tom Jobim prosseguiu gravando e compondo músicas vocais e instrumentais de rara inspiração, juntando harmonias do jazz (Stone Flower) e elementos tipicamente brasileiros, fruto de suas pesquisas sobre a cultura brasileira. É o caso de “Matita Perê” e “Urubu”, lançados na década de 1970, que marcam a aliança entre sua sofisticação harmônica e sua qualidade de letrista. São desses dois discos Águas de Março, Ana Luiza, Lígia, Correnteza, O Boto, Ângela. Também nessa época grava discos com outros artistas, como Elis e Tom, com Elis Regina, Miúcha e Tom Jobim e Edu e Tom, com Edu Lobo. Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de We are the world, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985) abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções Chega de mágoa e Seca d´água. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro. Em 1987, lançou Passarim, obra de um compositor já consagrado, que pode desenvolver seu trabalho sem qualquer receio, acompanhado por uma banda grande, a Banda Nova. Além da faixa-título, Gabriela, Luiza, Chansong, Borzeguim e Anos Dourados (com Chico Buarque) são os destaques. Em 1992 foi enredo da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Seu último álbum, Antônio Brasileiro, foi lançado em 1994, pouco antes da sua morte, em dezembro, de parada cardíaca, quando estava se recuperando de um câncer de bexiga no Hospital Mount Sinai, em Nova Iorque. Algumas biografias foram publicadas, entre elas Antônio Carlos Jobim, um Homem Iluminado, de sua irmã Helena Jobim, Antônio Carlos Jobim – Uma Biografia, de Sérgio Cabral, e Tons sobre Tom, de Márcia Cezimbra, Tárik de Souza e Tessy Callado. Antônio Carlos Jobim era doutor «honoris causa» pela Universidade Nova de Lisboa / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, por volta de 1991. O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro foi renomeado Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão – Antônio Carlos Jobim ‘ junto ao Congresso Nacional por uma comissão de notáveis, formada por Chico Buarque, Oscar Niemeyer, João Ubaldo Ribeiro, Antônio Cândido, Antônio Houaiss e Edu Lobo, criada e pessoalmente coordenada pelo crítico Ricardo Cravo Albin. Em 25 de janeiro de 2011, dia em que Tom Jobim completaria 84 anos, o Google alterou o logo da sua página inicial em homenagem a Tom.
COMPOSIÇÕES CONSAGRADAS
”Chega de Saudade” (1957), o marco inicial da bossa nova
”Água de Beber”
”Desafinado” (1959), vencedora de três prêmios Grammy
”Samba de Uma Nota Só” (1959)
”A Felicidade” e “O Nosso Amor”, do filme Orfeu Negro (1959)
”Insensatez” (com Vinícius de Moraes) (1960)
”Garota de Ipanema” (com Vinícius de Moraes) (1963)
”Fotografia” (1965)
”Triste” (1967)
”Wave” (1967)
”Águas de Março” (1970)
”Luiza”
”Corcovado”
”Dindi”
”Retrato em Branco e Preto” (com Chico Buarque)
”Samba do Avião”
”Anos Dourados”
”Meditação”
”Só Tinha de Ser com Você” (1974)
”Sabiá”
”Eu sei que vou te amar”
”Falando de amor”
”Ela é carioca”
”Bebel”
DISCOGRAFIA
ÁLBUNS DE ESTÚDIO
Solo
The Composer of Desafinado, Plays (Verve, 1963)
Antônio Carlos Jobim (Elenco, 1964), reedição brasileira do álbum acima, com capa e título diferentes.
The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim (Warner, 1964)
A Certain Mr. Jobim (Warner, 1965)
Wave (A&M/CTI, 1967)
Stone Flower (CTI, 1970)
Tide (A&M/CTI, 1970)
Matita Perê (Philips, 1973)
Jobim (MCA, 1973), reedição estadunidense do álbum acima, com capa e título diferentes. A diferença é que contém uma faixa a mais: “Waters of March”.
Urubu (Warner, 1975)
Terra Brasilis (Warner, 1980)
Passarim (PolyGram, 1987)
Antônio Brasileiro (Columbia, 1994)
Inédito (BMG, 1995)
Com parcerias ou como contribuidor
O Pequeno Príncipe (Festa, 1957), um audiolivro cuja trilha sonora foi composta por Jobim.
Sinfonia do Rio de Janeiro (Continental, 1954), parceira com Billy Blanco.
Orfeu da Conceição (Odeon, 1956)
Canção do Amor Demais – Elizete Cardoso (Festa, 1958)
Amor de gente moça – Silvia Telles (Odeon, 1959)
Chega de Saudade – João Gilberto (Odeon, 1959)
Por tôda a minha vida – Lenita Bruno (Festa, 1959)
Brasília – Sinfonia da Alvorada (Columbia, 1960)
O Amor, o Sorriso e a Flor – João Gilberto (Odeon, 1960)
João Gilberto – João Gilberto (Odeon, 1961)
Getz/Gilberto – Stan Getz, João Gilberto (Verve, 1963)
Jazz Samba Encore! (MGM/Verve, 1963)
The Astrud Gilberto Album (Verve/Elenco, 1965)
Caymmi Visita Tom (Elenco, 1965), parceria com Dorival Caymmi e seus filhos, Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi
Garota de Ipanema – vários intérpretes (Philips, 1967), trilha sonora do filme homônimo.
Antonio Carlos Jobim & Sérgio Mendes (Odeon, 1967), com Sérgio Mendes. Algumas faixas desse álbum foram retiradas do The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim.
Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim (Reprise, 1967)
The Adventurers (Paramount, 1970), trilha sonora do filme homônimo.
Sinatra & Company – Frank Sinatra e Antonio Carlos Jobim (Reprise, 1971)
Elis & Tom (PolyGram, 1974), parceria com Elis Regina.
Miucha & Antonio Carlos Jobim – vol. I (RCA, 1977), parceria com Miúcha.
Miucha & Tom Jobim – vol. II (RCA, 1979), parceria com Miúcha.
Edu & Tom (PolyGram, 1981), parceria com Edu Lobo.
Gabriela (RCA, 1983), trilha sonora original do filme Gabriela, Cravo e Canela.
O Tempo e o Vento (Som Livre, 1985)
Compactos
Disco de bolso – O Tom de Tom Jobim e o tal de João Bosco (Zen Editora, 1972)
ÁLBUNS AO VIVO
Tom, Vinicius, Toquinho, Miucha – gravado ao vivo no Canecão, Rio de Janeiro (Som Livre, 1977)
Rio Revisited – Tom Jobim & Gal Costa (Verve/Polygram, 1989)
Tom Canta Vinícius (Universal, 2000)
Em Minas ao Vivo: Piano e Voz (Biscoito Fino, 2004)
Ao Vivo em Montreal (Biscoito Fino, 2007)
COMPILAÇÕES
Antonio Carlos Jobim: Composer (Warner, 1995)
Sinatra-Jobim Sessions (WEA, 1979)
Meus Primeiros Passos e Compassos (Revivendo, 1997)
Raros Compassos (Revivendo, 2000), lançado em três volumes.
ÁLBUNS DE TRIBUTO
The Antonio Carlos Jobim Songbook (Verve, 1994) – interpretado por vários artistas, como Ella Fitzgerald, Oscar Peterson e Dizzy Gillespie, incluindo algumas músicas de álbuns que Tom Jobim participou, como o álbum Getz/Gilberto e The Composer of Desafinado, Plays.
Jobim Sinfônico (Biscoito Fino, 2002) – OSESP
Songbook Antonio Carlos Jobim (Lumiar, 1996) – interpretado








