O RIO DE JANERO É UMA ETERNA BOSSA NOVA?

Publicado: 26/01/2010 em Paulo Ragassi


Escrevi este texto em outubro de 2009, mas vamos là, pois muitos não leram: Passada a “euforia”, ou melhor o ufanismo cego do RJ-2016, vamos enxergar o Rio de Janeiro como ele na verdade é. Por favor não entendam este post como algo bairrista de um Paulistano, e nem aquela coisa idiota de rixa entre paulistas e cariocas, mas sejamos racionais, o RJ acostumou-se com um glamour que infelizmente não existe mais. Os anos 50 e 60 já se passaram há muito; não há mais um Cassino da Urca, nem bailes de gala no Copacabana Palace; playboys não desfilam mais nas areias de suas praias, e nem na noite carioca, nem tampouco é mais a Capital Federal! O Rio de Janeiro é uma cidade que tem seus encantos naturais sim, mas tem também muitos problemas: segurança, saúde, saneamento básico, problemas acho que esquecidos por nossos Governantes. O carioca parece ter esquecido seus problemas pelo menos por um dia, mas infelizmente tudo voltou como antes no quartel de Abrantes; a violência voltou às ruas, um helicóptero abatido com uma arma que na teoria deveria ser somente de uso exclusivo das forças armadas. A Revista Forbes publicou uma matéria sobre as cidades mais felizes do mundo, e advinha quem ganhou? O Rio de Janeiro! No Jornal “O Estado de São Paulo” de hoje, Lobão fala o seguinte: “Que bacana!!! Então, já que deu na FORBES, muda tudo! Eu posso até voltar correndo, varado de luz, redimido… com carimbo da Forbes de… FELIZ!!! O mais feliz do mundo!!! EEEEE! Devemos decretar  uma semana de feriado, convocar uma micareta e fechar a Vieira Souto pra comemorar esse feito! Mas, falando sério, esse tipo de felicidade me assusta um pouco. Uma felicidade meio perversa, meio postiça, meio indulgente. Tem uma bossa nova que eu fiz dizendo mais ou menos assim sobre a nossa índole, sobre nossa paisagem: “Tudo aqui descontroladamente lindo como um gol acidental… Tão suicida essa forma invertida de felicidade… E a gente continua comemorando coisa alguma sempre a sorrir”. E diz mais: “Talvez essa tal felicidade esteja nos condenando à eterna permanência da precariedade, pois aplaca nossa indignação, estupra o nosso luto, mina a vontade de sermos melhores, impossibilita qualquer tentativa de engendrar profundas e necessárias transformações da imagem que temos de nós mesmos e, infelizmente, acaba por facilitar a tal da autofolclorização, caindo na gratuidade insólita, boba e até cruel da carnavalização.” (Grifos nossos). Até sexta-feira passada 6 (seis) corpos encontrados na Favela do Fumacê, em Realengo, elevaram para 42 (quarenta e dois) o número de mortos no Rio de Janeiro, desde o inicio dos confrontos, no sábado anterior. Na terça-feira, um cadáver foi achado dentro de um carrinho de mercado, perto do Morro dos Macacos. Não são noticias que eu gostaria de ler do Rio de Janeiro, mas está é a realidade, e o povo carioca precisa parar um pouco com esse ufanismo momentâneo, pois dessa forma o Rio de Janeiro será uma Bossa Nova de uma nota só: A NOTA DA VIOLÊNCIA!

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