Arquivo de fevereiro, 2010

Essa é para os colecionadores de HQs como eu! Uma revista em quadrinhos de 1939, em que o super-herói Batman faz sua primeira aparição, faturou US$ 1.075.500 num leilão acontecido na terça, 23, em Dallas, Texas, nos Estados Unidos. Raridade disputada entre os fãs, o gibi chama-se Detective Comics e a edição em que o justiceiro mascarado dá as caras é a número 27. De acordo com Barry Sandoval, diretor de operações da seção de quadrinhos da casa de leilões Heritage Auction Galleries, responsável pela venda, esse foi o maior preço já pago por uma HQ. Tanto o comprador como o antigo dono do gibi, que adquiriu a edição por cem dólares, no fim dos anos 60, preferem ficar no anonimato. Na segunda-feira, 23, o mundo dos quadrinhos já tinha batido um recorde. A edição número 1 da Action Comics, de 1938, em que o Superman surge pela primeira vez, foi vendida por US$ 1 milhão, em Nova York.

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tão alardeada volta dos discos de vinil nacionais finalmente se concretiza. Com a Polysom, única do gênero na América Latina, reativada no Rio em abril de 2009, a Deckdisc anuncia para março o relançamento de quatro álbuns do pop-rock nacional, que fizeram barulho nos três últimos anos. São eles Onde Brilhem os Olhos Seus (de Fernanda Takai), Fome de Tudo (Nação Zumbi), Chiaroscuro (Pitty) e Cinema (Cachorro Grande). O mais recente, de 2009, é o de Pitty, que fará show para marcar o lançamento do LP na próxima sexta, no Circo Voador, no Rio. O interesse do público jovem pelos velhos bolachões vem crescendo. No Hemisfério Norte, álbuns históricos de Beatles, Beach Boys, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Miles Davis e outros foram relançados em LPs de 180 gramas, bem como novos títulos de peso, entre eles Back to Black (Amy Winehouse), In Rainbows (Radiohead) e Viva la Vida (Coldplay). Vários desses títulos podem ser encontrados em São Paulo por preços acima dos R$ 100. Esse é o valor também de alguns novos LPs brasileiros, fabricados no exterior, como Labiata, de Lenine, e a malfadada série Primeiro Disco da Sony (em versão dupla com CD), que não teve grande repercussão por outro bom motivo além do alto custo. Com exceção de Da Lama ao Caos (Nação Zumbi), os álbuns de estreia de Vinicius Cantuária. Engenheiros do Hawaii, Inimigos do Rei e João Bosco não têm apelo de venda nem são imprescindíveis. Além do mais, já haviam saído em vinil. A reativação da fábrica brasileira resolve a questão do custo para o consumidor. A Polysom estava desativada desde 2007 e foi comprada em abril do ano passado pela Deckdisc. Depois de vários meses de reformas e testes, a fábrica voltou a funcionar neste início de 2010. João Augusto, presidente da Deckdisc e um dos sócios da Polysom, diz que, além do mercado interno, a fábrica vai atender outros países do Mercosul, “com destaque para Argentina e Chile”. “O fato de a Polysom ser a única fábrica de vinil da América Latina e estar completamente inviabilizado o aparecimento de qualquer outra, por absoluta falta de equipamentos, gera um prognóstico espantoso se considerarmos os apoios que temos recebido”, diz o empresário. “Os equipamentos hoje existentes na Polysom, em sua maior parte, têm fabricação descontinuada. Por isso, passaram por um completo desmonte para depois serem recompostos adequadamente por uma equipe de mágicos. Tudo que havia lá foi recuperado.” Ainda não há demanda definida para este ano, segundo Augusto, “apenas sensações de que a tendência é de crescimento firme”. “Os primeiros lançamentos ainda servirão para mostrar à turma que é verdade sim, os vinis voltaram a ser fabricados no Brasil. Nossa capacidade instalada é de 28 mil LPs e 12 mil compactos por mês.” Como a grande maioria dos consumidores já não tem toca-discos em casa, a tendência é que se volte a fabricá-los no País. “A teoria não é minha, é de João Araújo (presidente da gravadora Som Livre): no momento em que qualquer fabricante se tocar que o vinil está voltando, eles têm condições de colocar aparelhos em produção em menos de seis meses.” Sobre a escolha desses quatro títulos iniciais, Augusto diz: “Está relacionada com o artistas propriamente ditos e com nosso desejo de dizer ao ainda incipiente mercado brasileiro que podemos lançar em vinil os trabalhos mais recentes de artistas legais, como acontece fartamente hoje no exterior. É um caminho que iremos seguir com os próximos lançamentos.” Esses LPs brasileiros estarão à venda em lojas, livrarias, numa loja de vinis da própria Polysom, lincada em seu site “e todos que se interessarem em trabalhar com o formato”, afirma. O preço sugerido de cada LP é de R$ 79,90. Valéria Oliveira sai na frente com o CD, ‘No Ar’.Antes do lote da Deckdisc saiu em vinil No Ar, sétimo álbum da cantora e compositora potiguar Valéria Oliveira, que não tem ligação com a gravadora e difere dos demais também por ser inédito. O disco foi lançado simultaneamente em CD e traz 12 novas composições da talentosa Valéria, com parceiros. O LP tem um remix não incluído no CD, foi viabilizado pela United Records Pressing e custa R$ 35, embora a venda não seja o objetivo, mas o uso promocional do vinil.

Depois de 40 anos sem o lendário guitarrista Jimi Hendrix, chega as lojas entre os lançamentos de 2010, o disco “Valleys of Neptune”, que conta com 12 faixas inéditas gravadas pelo artista. A irmã do guitarrista, Janie Hendrix, disse em comunicado: “Valleys of Neptune mostra uma visão única da maestria de Jimi nos processos de gravação e demonstra que ele era tão inovador no estúdio como ao tocar guitarra” O álbum sairá em 9 de março e conta com versões em estúdio de covers de Hendrix para “Bleeding Heart”, de Elmore James, e “Sunshine of Your Love”, do Cream, além de regravações de clássicas faixas do álbum Are You Experienced, como “Fire”, “Red House” e “Stone Free”. Entre as músicas do álbum que fazem sua primeira aparição oficial, estão “Lullaby for the Summer”, “Crying Blue Rain” e “Ships Passing Through the Night”.  Janie afirma ainda, que há mais surpresas para março. Os três álbuns de estúdio de Hendrix (Are You Experienced, de 1967, Axis: Bold as Love, de 1967 e Electric Ladyland de 1968), gravados na época em que integrava o Jimi Hendrix Experience junto a Noel Redding e a Mitch Mitchell, serão relançados em CD e DO. Ainda neste ano, a história do guitarrista norte-americano será tema de documentários. Um deles é “Slide”, uma versão ficcional sobre o que aconteceu durante o “final de semana perdido” de Hendrix, que teria sido alvo de um sequestro planejado por seu empresário, Mike Jeffery. VD. Cada disco será acompanhado de um documentário desenvolvido pelo diretor Bob Smeaton, o mesmo do Beatles Anthology, incluindo entrevistas com Mitchell e Redding e com os produtores Chas Chandler e Eddie Kramer. Live at Woodstock, álbum duplo de Hendrix, também será relançado, além de ganhar versão em Blu-ray.

LED ZEPPELIN - QUANDO OS GIGANTES CAMINHAVAM SOBRE A TERRA - Mick Wall

Mais uma dica do TAH LIGADO! Não é por acaso que o Led Zeppelin é considerado uma das mais importantes bandas de todos os tempos. A capacidade alquímica de Jimmy Page em unir os elementos certos para estruturar uma música carregada de personalidade, poder, e repleta de construções elaboradas com influências de rock, r&b, folk, ragas indianas, blues, clássica e sons que remetem ao renascimento espiritual, é diferenciada. O guitarrista, pelo menos desde 1966, correu atrás de uma nova atitude, o que acabou permeando uma nova estética, tanto musical como de business rock, inédita até então. Tudo, na história do Led, foi feito com muita energia e atitude. Com o plano já escrito no etéreo, era só colocar a mágicka em prática. O guitarrista escolheu seus companheiros a dedo, procurando entre alguns nomes conhecidos, mas achando Plant por acaso. “Led Zeppelin, Quando os Gigantes Caminhavam sobre a Terra” – escrito pelo conceituado biógrafo e crítico musical Mick Wall, e lançado pela Larousse no final de 2009, e descreve a banda como uma experiência complexa. Não se trata de um bio, mas de um documento rico em detalhes e passagens quentes e sensoriais. O mais impressionante,e aprova que o Led Zeppelin é a uma das bandas mais importantes de todos os tempos é que a garotada, em pleno século XXI, continua descobrindo “Immigrant Song”, “Four Sticks”, “Kashmir”, “Babe I Gonna Leave You” “Communication Breakdown” e outras pedradas dos ingleses, de forma ávida e curiosa. Afinal, sempre se busca a raiz. Os outros motivos são os mesmos de quase todos os que gostam de música: um guitarrista acima da média e que sabe tudo de produção e truques de estúdio (e que antes de formar a banda havia tocado no mítico Yardbyrds – por onde passaram Clapton e Beck – além de ter sido um dos caras mais requisitados nos estúdios londrinos nos anos 1960); um baterista fora do comum, que tocava muito alto e que criou novos parâmetros para seu instrumento; um vocalista de presença e com uma voz poderosa e um baixista que compunha e arranjava canções de forma impressionante, além de ser exímio instrumentista. Mais do que descrever as já desgastadas e supra conhecidas orgias, abuso de drogas, e certa violência como andar de Harley pelos corredores dos hotéis, onde habitualmente quebravam quartos, o autor foi preciso e cirúrgico ao relatar como Page foi inovador no uso do eco reverso e na ciência dos amplificadores. O que importa, na verdade, são as histórias de quando Page, com seu arco de violino, ancorado pelo absolutamente visceral e animal baterista John Bonhan, junto com os não menos talentosos Jones e Plant, arrancava gemidos de sua Les Paul, criando um fluxo de plasma na catarse energética de seus shows. Mick Wall fez um relato orgânico da vida de cada um dos músicos antes do Zep, suas aspirações, seus medos e sonhos. Com depoimentos dos artistas e pessoas próximas, o autor intercalou capítulos da vida pessoal de cada membro, fazendo flutuar o imaginário do leitor de forma fácil e gostosa, junto à história da banda. Há no livro revelações sobre o interesse, e práticas, de Page, com ciências ocultas e seus estudos sobre obra do mago inglês Aleister Crowley, o mago das mil faces. O livro dedica um generoso espaço para Crowley, que pelo o que mostra o autor, vê o homem como espírito uno e responsável por si só. Sim, Page aprendeu a lidar com entidades chamadas de anjos caídos, mas não para mal. O envolvimento do guitarrista com essas práticas sempre foi muito reservada (embora conhecida) e promoveu uma forte onda na vida dele. Isso me levou a ler alguma coisa de Crowley – “The Magick of Thelema” – para perceber, ouvindo as canções citadas no livro, como Page tinha pleno domínio de suas intenções e da situação, todo tempo. A verdadeira magia do Led Zeppelin, retratada com nitidez no livro, foi unir aos quatro talentos repletos de habilidade musical, alem de força e coesão, um quinto elemento catalisador que faz do Zep uma banda envolvente e única. Munidos de símbolos mágickos bem explicados na obra: O símbolo de Page, ZOSO, com várias conotações mágickas; O símbolo de Jones (o círculo com as três ovais se interceptando) veio de um livro de runas e aparentemente representa confiança e competência. Ele também aparece na capa de livros Rosa Cruz; O símbolo de Bonham (os três círculos) vem do mesmo livro e representa a trilogia homem-mulher-criança e o de Plant, que desenhou o seu próprio, baseado na antiga civilização de Mu. Page se alinha a idéia que “qualquer que seja o sistema que você acredita encontrara algo”. A importância do imenso e virulento Peter Grant, o manager e anjo do grupo, é super evidenciada no livro. Grant conseguiu o primeiro contrato (com a Atlantic Records, em 1969) no qual a banda tinha plena liberdade. Levava a fita máster pronta e fim de papo. Foi uma coisa inédita na época. Além disso, G. foi pioneiro em descolar as melhores bilheterias da história, 90%, quando as bandas ganhavam misérias. E, fazer dos EUA, o quintal dos britânicos. Led Zeppelin, Quando os Gigantes Caminhavam sobre a Terra” é fascinante porque mostra com pormenores como foi produzido cada álbum, as mensagens subliminares das capas, de algumas letras, os momentos de reclusão e criação, e os grandes shows com mais de duas horas de duração onde as pessoas literalmente ficavam em transe, criando aquela quinta essência alquímica e vaporosa. Concertos que eram ritualísticos e incomparáveis. Os relatos de como Page e companhia construíram mitos como “Starway to Heaven”, a ânsia por criar linguagens diferentes em cada trabalho e a relação difícil com a crítica americana, são descritos com minúcia. “Fizemos músicas e andamos, falamos e pensamos e depois fomos para a abadia, onde eles esconderam o Graal”, diz Plant, num trecho. O propósito pelo diferente, pela pesquisa, sempre esteve bem clara para mim na música do Zep. Lendo essa bio, percebi com transparência lúcida, como a partir do Led III, o disco mais acústico e folk, intencionalmente o grupo fugiu do estereótipo de rock pesado, dando as primeiras indicações de que eram mais do que power rock. Cheio de riffs de slide, o Led III permeou a diversidade do Zep nos trabalhos seguintes. Na verdade, um dos grandes méritos do livro é desnudar o processo de criação dos discos, desde o conceito do som até a arte das capas, sempre com mensagens e códigos. A morte dolorosa e trágica de John Bonhan, em 1980, que precipitou o fim da banda, a Swan Song, o selo próprio do Zep, fazem parte dos últimos capítulos de uma história de glória, mistério, exageros e, principalmente, de música de primeira. Foi impossível não ler o livro ouvindo os discos, e relacionando-os as novas informações sobre os detalhes da criação das músicas, como por exemplo, a participação da cantora de folk, Sandy Denny, do Fairport Convention, na épica e Tolkieana “Battle of Everymore”. Até o último show, em Londres na Arena O2, em 2007, a ressurreição do lendário Led Zeppelin só não rolou pela negativa constante de Plant. Quarenta e um anos depois do Led Zeppelin I causar um rebuliço na cena, a banda continua a render discos, DVDs, homenagens e livros. Como afirmou Page em uma entrevista em 2008, “por mais que eu tenha invocado meus deuses com fé, jamais imaginei o que a coisa toda se tornaria”.

Uma excelente dica de leitura para quem quer conhecer um pouco mais sobre o Movimento Hippie e a contra-cultura dos anos 60. sobre Na turbulência da guerra do Vietnã, parte da juventude norte-americana se rebela e funda o movimento hippie. ‘Albatroz’ conta a história de um destes jovens que deixa sua cidade natal no Arizona e parte de motocicleta para a Califórnia em busca de liberdade e aventuras. Lá, encontra prazer, drogas, Rock’n roll e o sexo livre, até descobrir com os próprios olhos, após um show dos Rolling Stones onde pessoas foram mortas, que aquela magia estava se deteriorando. A crise vivida pelo personagem é a crise dos jovens americanos no apagar das luzes da década de 60 quando muitos tiveram que escolher entre a vida e a morte. ALBATROZ O ENCONTRO DAS TRIBOS NA CALIFORNIA DOS ANOS 60.  JOEL MACEDO.  Editora: DANPREWAN.

Lira Paulistana

Vamos a mais uma história que fez parte de minha adolescência e que por coincidência  a Maga Lieri cantou neste espaço que foi primordial para os artistas independentes nos anos 80. Entre 1979 e 1986, funcionou na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, São Paulo, o Teatro Lira Paulistana -nome tirado da obra homônima de Mário de Andrade, de 1946. Fundado por Wilson Souto Jr., o Gordo, o Lira passou de palco de produções alternativas – começou como teatro – a centro irradiador do que viria a se chamar Vanguarda Paulista. Durante esse período o Gordo foi aceitando sócios. O pioneiro, Chico Pardal, que ainda colabora com o Gordo, hoje dono da gravadora Atração; Plínio Chaves, já falecido, deflagrador da carreira de Ná Ozzetti; o jornalista Fernando Alexandre G. da Silva, responsável pelo Lira Paulistana, a primeira publicação a tentar emular o Time Out inglês e o Pariscope francês – as revistas semanais ainda tentam; Ribamar de Castro que, entre outros feitos, transformou o logotipo do teatro, com o perfil de São Paulo, em uma linha de neón. E fez história. Há uma década radicado na Espanha, Riba está em São Paulo para colocar o Lira “em seu devido lugar”. Detentor de um vastíssimo material sobre o teatro, Ribamar pensava em escrever a respeito do assunto quando a idéia de fazer um documentário o atropelou. Desde outubro passado, Riba percorre a cidade acompanhado pelos profissionais da Lente Viva Filmes, Fabriketta de Cinema e DCine, gravando depoimentos, buscando locais originais, desfazendo lendas e criando outras. O resultado chegou às telas no segundo semestre de 2009 e já é considerado uma revolução. O motivo é simples. Embora quase três décadas tenham se passado, não há um dia que alguma figura que pisou no palco do Lira Paulista não esteja se apresentando em algum lugar da cidade. Mesmo assim o leitor não encontra nenhuma informação sobre o Lira reunindo teatro, movimento, momento histórico, nada, seja em enciclopédias de música, publicações, o que for. Para completar, há claros indícios de que a figura de Itamar Assumpção, cantor e compositor falecido em 2003 a quem o filme é dedicado, torne-se hype nos próximos meses. Além do filme do Riba, da Caixa Preta, com sua discografia a ser lançada pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) e o DVD pelo Itaú Cultural, Itamar tornou-se a figura mais escolhida para tema de TCCs (trabalhos de conclusão de curso), teses de mestrado, doutorado, monografias e matérias de revistas. Ouvidos atentos. Ribamar de Castro é uma daquelas figuras que só a Vila Madalena do final da ditadura podia ter produzido. Ele praticamente definiu o conceito de agitador cultural. Um dos seus primeiros feitos foi projetar filmes de um apartamento nos prédios vizinhos, com as caixas de som nas janelas, para que todos pudessem assistir enquanto bebericavam. Baixinho, barba, óculos e sempre encimado por um quepe da Legião Estrangeira, ele embarcou na aventura do Teatro Lira Paulistana já definindo seu apelo visual, e sua experiência em Barcelona só o aproximou ainda mais da Benedito Calixto. Para começo de conversa, a denominação Vanguarda Paulista foi criada pela imprensa baseada no fato de Arrigo Barnabé trazer a clara e crocodilesca influência dos compositores de vanguarda do princípio do século passado. Logo, tudo o que não era MPB-bossa incluído na música pós-tropicalista de Itamar – os grupos Rumo, Premê e Língua de Trapo, no repertório de cantoras como Cida Moreira e Eliete Negreiros, de regionalistas como Passoca ou o grupo Paranga, das formações de jazz em torno do pianista Lelo Nazário -, tudo foi resumido como… vanguarda. Na verdade o assunto que dava liga a todas essas pessoas era música independente. Independente das gravadoras. Como Antonio Adolfo e seu disco sintomaticamente batizado Feito em Casa. Fora isso, aquelas pessoas não tinham nada em comum – como observou o jornalista e pesquisador Zuza Homem de Mello, “os pintores de Paris da época de Picasso também não tinham” – exceto o Lira e a proximidade da Universidade de São Paulo (USP). Mas como “toda regra etc.”, Arrigo nunca tocou no Lira e Itamar nunca estudou na USP. Mas isso é assunto para mais de metro. O fato é que o Lira já existia há um ano quando o Gordo e sua turma descobriram Itamar em um festival da Madalena. Logo Arrigo lançaria o primeiro disco independente dessa safra. Itamar passou a se apresentar no Lira e os responsáveis descobriram que se quisessem lançar um disco teriam de fundar um selo também. Assim surgiu Beleléu, Leléu, Eu, de Itamar, e o selo Lira Paulistana, hoje ambos lendários. Rumo, Premê e Língua, entre tantos outros, fizeram daquele porão minúsculo – cabiam 150 pessoas se tanto – seu lar permanente, criando a mística do Lira. Na verdade se houve grupo que surgiu no Lira, seria da geração seguinte, do chamado BRock. Os membros dos Titãs, Ira! e Ultraje a Rigor, por exemplo, eram meninos que ensaiavam à tarde no teatro desocupado. Mais assunto. Riba está entrevistando todo mundo. Os “meninos” também. E tentando desviar o assunto de música exclusivamente. Tanto que o nome da sociedade era Centro de Promoções Artísticas Lira Paulistana. As coisas aconteciam. Como lembra Laerte Fernandes de Oliveira em seu livro Em um Porão Em São Paulo (Anna Blume – 2002), quando O Homem Que Virou Suco, de João Batista de Andrade, foi premiado em Moscou havia desaparecido das telas no Brasil, sendo exibido apenas no Lira. O mural ao lado do teatro era ocupado por artistas plásticos que se revezavam a cada dois meses. A Edições Lira Paulistana tem como primeiro volume Minorias, do estreante Glauco, o cartunista. O jornal teve 12 edições e os shows do porão ganharam as praças, com patrocínio da US Top, e o País, batizados Boca no Trombone. Muita água rolou. E Ribamar está aí para filtrar e contar.

LP TREM DAS ONZE - DÉCADA DE 60

Quem não se lembra desta frase do Adoniran Barbosa? E quantas vezes já cantamos “Trem das Onze” ou “Samba do Arnesto”, ou se perguntarem para qualquer um de voces qual o grupo que mais representa o paulistano? Acho que a resposta será unânime: DEMONIOS DA GAROA! Conjunto Vocal mais antigo do Brasil em atividade, ganhador do disco de ouro pelo álbum de 50 Anos, o grupo Demônios da Garoa já vendeu mais de dez milhões de cópias ao longo de sua carreira.  O bom humor tornou-se a marca registrada do grupo. Grande intérprete de Adoniran Barbosa, gravou Trem das Onze, a marca registrada do grupo conjuntamente com “Iracema”, “Saudosa Maloca”, “O Samba do Arnesto”, “As Mariposa”, “Tiro ao Álvaro”, “Ói Nóis Aqui Trá Veiz”, “Vila Esperança” e “Vai no Bexiga pra Ver”. Um dos conjuntos vocais mais ativos da música brasileira, nasceu em São Paulo em 1943 com o nome Grupo do Luar, tocando em festas e serenatas. Ganharam o primeiro prêmio de um concurso de rádio, e foram contratados pelas Emissoras Unidas. Ganharam notoriedade ao se consagrarem campeões do carnaval paulista de 1951 e 1952 com dois sambas de Adoniran Barbosa: “Malvina” e “Joga a Chave” (com Osvaldo Molles). Responsáveis pelos maiores sucessos de Adoniran, os Demônios da Garoa fizeram as gravações originais de “Saudosa Maloca”, “Samba do Arnesto” e “Trem das Onze”. Continuaram produzindo muitas gravações nas décadas de 60, 70, 80 e 90, entrando no Livro Guiness de Recordes e 1994 como o mais antigo grupo em atividade no mundo. Entre antigos e atuais integrantes estão Cláudio Rosa, Oswaldo da Cuíca, Toninho, Arnaldo Rosa, Antônio Gomes Neto, Artur Bernardo, Ventura Ramirez, Ivan Pires Augusto, Francisco Paulo Galo, Sérgio Rosa, Roberto Barbosa e Simbad. Agora o grande nome do samba paulistano – Os Demonios da Garoa – se apresentam todas  as terças-feiras, a partir da 22:30 hs. no Bar Brahma, situado na esquina mais boemia de São Paulo. Maga Lieri e Paulo Ragassi estarão lá para mostrar para todos voces um dos redutos boemios mais antigos de São Paulo, e uma entrevista exclusiva com os Demonios da Garoa, falando de Adoniran Barbosa!!