HISTÓRIAS DA BOEMIA DE SÃO PAULO – BRAHMA BAR

Publicado: 21/02/2010 em allTV, Paulo Ragassi, PROGRAMA TAH LIGADO!, Uncategorized
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A minha história no final da década de 70 e anos 80, na noite paulistana, confunde-se com a história do Brahma Bar. Lembro-me da orquestra que regava meus jantares com uma música gostosa, ou o Gentil que tocava no Piano’s Bar, enquanto tomava meus chopps, e um bom debate sobre política, futebol, mulher, e as vezes direito…rs…saudades desta época! Referência da noite paulistana. É assim que o Bar Brahma ficou conhecido ao longo das décadas de funcionamento na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São João. As histórias e lendas que marcam o lugar com charme e elegância foram resgatadas pelos atuais donos, Álvaro Aoás e Luís Marcelo Lacerda, que conseguiram aliar a tradição do bar de reunir pessoas importantes da cultura paulista com a presença de um público que ultrapassa delimitações de faixa etária e até mesmo de classe social. Hoje o Bar Brahma, reaberto desde 2001, reúne ao longo da semana shows de artistas que são símbolos da música brasileira, como Cauby Peixoto, Jair Rodrigues e Demônios da Garoa. O público jovem vai ao bar atrás de música, petiscos tradicionais, como o bolinho de bacalhau, bom atendimento, além, é claro, do chopp e do ambiente ideal para um happy hour. A Esquina da MPB, uma das alas mais novas do bar, é um espaço para a canção brasileira e palco de novas tendências do cenário musical. “Num cruzamento tão famoso, a Esquina da MPB surge como marco consolidador de linguagens e lançador de tendências da canção e de outras expressões da cultura brasileira”. Mas o Bar Brahma, em sua história, não explorou a música ao vivo, não a tornou um dos principais atrativos. Essa é uma ideia nova, já que antes as pessoas procuravam o Brahma por ser um lugar de referência da noite paulistana, apesar de muitas vezes passarem horas ao som do piano que tocava um tango argentino. O Brahma se consolidou, no passado, como um ambiente que atraía pessoas interessadas em tomar um uísque, uma cerveja, um chopp, pessoas que sabiam que poderiam encontrar ali gente interessante pra conversar e até mesmo para discutir e desenvolver projetos artísticos. É por isso que dizem que Adoniran Barbosa costumava rabiscar guardanapos compondo algumas de suas letras no bar Brahma. Figuras como Adhemar Barroso, Orlando Silva, Ari Barroso e Vicente Celestino marcaram presença no Bar Brahma e o transformaram em ponto de encontro da boemia paulistana. Em entrevista à USP, Serginho Rosa, um dos componentes mais antigos do grupo  “Demônios da Garoa” diz que “o Bar Brahma sempre foi marco dentro da noite paulistana. Então sempre existiram aqueles sambistas, aqueles compositores e o bar sempre foi muito bem frequentado, ele sempre teve esse glamour, toda classe artística com certeza passou pelo Bar Brahma. Pode ser que não atuando, não trabalhando, mas com certeza passou pelo bar”. Nas palavras de Serginho, “quando entramos no Bar Brahma, não sabemos quem poderemos encontrar sentado em suas mesas. Em uma mesma noite, vemos um grupo de jovens de 18 anos e uma mesa de mulheres, todas de cabelos brancos, com seus mais de 60 anos. Políticos e eleitores sentam próximos. Famosos frequentam o bar para se divertir, sem ter de ficar distribuindo autógrafos aos fãs”. O resgate da história do Bar Brahma com um toque de modernidade consolidou o lugar como símbolo da cultura paulistana. Quem vai ao Bar Brahma hoje não encontra apenas um lugar que mostra um pouco do cotidiano passado da cidade, mas percebe que o bar continua construindo a história da metrópole.

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