LED ZEPPELIN – QUANDO OS GIGANTES CAMINHAVAM SOBRE A TERRA – Mick Wall –

Publicado: 25/02/2010 em allTV, Paulo Ragassi, PROGRAMA TAH LIGADO!, Uncategorized
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LED ZEPPELIN - QUANDO OS GIGANTES CAMINHAVAM SOBRE A TERRA - Mick Wall

Mais uma dica do TAH LIGADO! Não é por acaso que o Led Zeppelin é considerado uma das mais importantes bandas de todos os tempos. A capacidade alquímica de Jimmy Page em unir os elementos certos para estruturar uma música carregada de personalidade, poder, e repleta de construções elaboradas com influências de rock, r&b, folk, ragas indianas, blues, clássica e sons que remetem ao renascimento espiritual, é diferenciada. O guitarrista, pelo menos desde 1966, correu atrás de uma nova atitude, o que acabou permeando uma nova estética, tanto musical como de business rock, inédita até então. Tudo, na história do Led, foi feito com muita energia e atitude. Com o plano já escrito no etéreo, era só colocar a mágicka em prática. O guitarrista escolheu seus companheiros a dedo, procurando entre alguns nomes conhecidos, mas achando Plant por acaso. “Led Zeppelin, Quando os Gigantes Caminhavam sobre a Terra” – escrito pelo conceituado biógrafo e crítico musical Mick Wall, e lançado pela Larousse no final de 2009, e descreve a banda como uma experiência complexa. Não se trata de um bio, mas de um documento rico em detalhes e passagens quentes e sensoriais. O mais impressionante,e aprova que o Led Zeppelin é a uma das bandas mais importantes de todos os tempos é que a garotada, em pleno século XXI, continua descobrindo “Immigrant Song”, “Four Sticks”, “Kashmir”, “Babe I Gonna Leave You” “Communication Breakdown” e outras pedradas dos ingleses, de forma ávida e curiosa. Afinal, sempre se busca a raiz. Os outros motivos são os mesmos de quase todos os que gostam de música: um guitarrista acima da média e que sabe tudo de produção e truques de estúdio (e que antes de formar a banda havia tocado no mítico Yardbyrds – por onde passaram Clapton e Beck – além de ter sido um dos caras mais requisitados nos estúdios londrinos nos anos 1960); um baterista fora do comum, que tocava muito alto e que criou novos parâmetros para seu instrumento; um vocalista de presença e com uma voz poderosa e um baixista que compunha e arranjava canções de forma impressionante, além de ser exímio instrumentista. Mais do que descrever as já desgastadas e supra conhecidas orgias, abuso de drogas, e certa violência como andar de Harley pelos corredores dos hotéis, onde habitualmente quebravam quartos, o autor foi preciso e cirúrgico ao relatar como Page foi inovador no uso do eco reverso e na ciência dos amplificadores. O que importa, na verdade, são as histórias de quando Page, com seu arco de violino, ancorado pelo absolutamente visceral e animal baterista John Bonhan, junto com os não menos talentosos Jones e Plant, arrancava gemidos de sua Les Paul, criando um fluxo de plasma na catarse energética de seus shows. Mick Wall fez um relato orgânico da vida de cada um dos músicos antes do Zep, suas aspirações, seus medos e sonhos. Com depoimentos dos artistas e pessoas próximas, o autor intercalou capítulos da vida pessoal de cada membro, fazendo flutuar o imaginário do leitor de forma fácil e gostosa, junto à história da banda. Há no livro revelações sobre o interesse, e práticas, de Page, com ciências ocultas e seus estudos sobre obra do mago inglês Aleister Crowley, o mago das mil faces. O livro dedica um generoso espaço para Crowley, que pelo o que mostra o autor, vê o homem como espírito uno e responsável por si só. Sim, Page aprendeu a lidar com entidades chamadas de anjos caídos, mas não para mal. O envolvimento do guitarrista com essas práticas sempre foi muito reservada (embora conhecida) e promoveu uma forte onda na vida dele. Isso me levou a ler alguma coisa de Crowley – “The Magick of Thelema” – para perceber, ouvindo as canções citadas no livro, como Page tinha pleno domínio de suas intenções e da situação, todo tempo. A verdadeira magia do Led Zeppelin, retratada com nitidez no livro, foi unir aos quatro talentos repletos de habilidade musical, alem de força e coesão, um quinto elemento catalisador que faz do Zep uma banda envolvente e única. Munidos de símbolos mágickos bem explicados na obra: O símbolo de Page, ZOSO, com várias conotações mágickas; O símbolo de Jones (o círculo com as três ovais se interceptando) veio de um livro de runas e aparentemente representa confiança e competência. Ele também aparece na capa de livros Rosa Cruz; O símbolo de Bonham (os três círculos) vem do mesmo livro e representa a trilogia homem-mulher-criança e o de Plant, que desenhou o seu próprio, baseado na antiga civilização de Mu. Page se alinha a idéia que “qualquer que seja o sistema que você acredita encontrara algo”. A importância do imenso e virulento Peter Grant, o manager e anjo do grupo, é super evidenciada no livro. Grant conseguiu o primeiro contrato (com a Atlantic Records, em 1969) no qual a banda tinha plena liberdade. Levava a fita máster pronta e fim de papo. Foi uma coisa inédita na época. Além disso, G. foi pioneiro em descolar as melhores bilheterias da história, 90%, quando as bandas ganhavam misérias. E, fazer dos EUA, o quintal dos britânicos. Led Zeppelin, Quando os Gigantes Caminhavam sobre a Terra” é fascinante porque mostra com pormenores como foi produzido cada álbum, as mensagens subliminares das capas, de algumas letras, os momentos de reclusão e criação, e os grandes shows com mais de duas horas de duração onde as pessoas literalmente ficavam em transe, criando aquela quinta essência alquímica e vaporosa. Concertos que eram ritualísticos e incomparáveis. Os relatos de como Page e companhia construíram mitos como “Starway to Heaven”, a ânsia por criar linguagens diferentes em cada trabalho e a relação difícil com a crítica americana, são descritos com minúcia. “Fizemos músicas e andamos, falamos e pensamos e depois fomos para a abadia, onde eles esconderam o Graal”, diz Plant, num trecho. O propósito pelo diferente, pela pesquisa, sempre esteve bem clara para mim na música do Zep. Lendo essa bio, percebi com transparência lúcida, como a partir do Led III, o disco mais acústico e folk, intencionalmente o grupo fugiu do estereótipo de rock pesado, dando as primeiras indicações de que eram mais do que power rock. Cheio de riffs de slide, o Led III permeou a diversidade do Zep nos trabalhos seguintes. Na verdade, um dos grandes méritos do livro é desnudar o processo de criação dos discos, desde o conceito do som até a arte das capas, sempre com mensagens e códigos. A morte dolorosa e trágica de John Bonhan, em 1980, que precipitou o fim da banda, a Swan Song, o selo próprio do Zep, fazem parte dos últimos capítulos de uma história de glória, mistério, exageros e, principalmente, de música de primeira. Foi impossível não ler o livro ouvindo os discos, e relacionando-os as novas informações sobre os detalhes da criação das músicas, como por exemplo, a participação da cantora de folk, Sandy Denny, do Fairport Convention, na épica e Tolkieana “Battle of Everymore”. Até o último show, em Londres na Arena O2, em 2007, a ressurreição do lendário Led Zeppelin só não rolou pela negativa constante de Plant. Quarenta e um anos depois do Led Zeppelin I causar um rebuliço na cena, a banda continua a render discos, DVDs, homenagens e livros. Como afirmou Page em uma entrevista em 2008, “por mais que eu tenha invocado meus deuses com fé, jamais imaginei o que a coisa toda se tornaria”.

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