Arquivo de março, 2010

Hoje é 31 de março; na minha infância era uma data comemorativa nas Escolas. Os professores pediam redações (na verdade era ditados) sobre a Revolução Militar de 1964…éramos crianças, não sabiamos realmente o que estava acontecendo naquele Brasil que para nós se resumia na comemoração da Copa do Mundo de 1970, num desfile de 7 de setembro, e ai vai…. As gerações de hoje acham que o Brasil sempre foi um Estado Democrático, mas nem hoje essa democracia é exercida de pleno, pois nem a chamada “esquerda” que hoje governa o Brasil, respeita a democracia, censurando até um jornal. Este é um texto somente ilustrativo sobre a Revolução de 1964, não apontarei culpados, aliás, a bem da verdade “direita” e “esquerda” têm culpa de forma bilateral em todo o processo. A Revolução de 1964 enquadra-se dentro da situação política mundial pós Segunda Guerra, auge da Guerra Fria, quando EUA e URSS atuavam no sentido de ampliar suas áreas de influência em todos os quadrantes do mundo. A estratégia era apoiar grupos políticos rivais dentro de uma nação e através da possível vitória destes, submeter os governantes, alçados ao poder, ao atendimento de seus interesses. O Golpe Militar de 64 se insere nesse processo. Os Estados Unidos apoiaram a Revolução contra João Goulart (Jango) que supostamente era um simpatizante soviético. Indícios e provas sobre o apoio dos EUA não faltam. Hoje, sabemos que o embaixador americano, Lincoln Gordon e o adido militar, coronel Vernon Walters, atuaram ativamente nas decisões que antecederam o 31 de março.  Diversos documentos comprovam que Gordon sabia da existência de uma operação para dar apoio à revolução, caso houvesse uma resistência. A operação tinha o nome de Brother Sam. Como parte desse acordo podemos relatar os vários encontros realizados sigilosamente entre militares e diplomatas brasileiros e americanos com o intuito de tratar de segurança e de cooperação industrial e militar e os vários contratos de compra de material bélico assinados pelo Brasil no exterior. Não podemos, ainda, esquecer, a contribuição substancial da igreja, com a campanha  anticomunista do padre patrick Peyton, que ao lançar a Cruzada do Rosário em Família promoveu uma intensa mobilização dos católicos, visando atingir o governo constituído. As pregações do padre Peyton influenciaram na ação de senhoras da classe média, que de rosário nas mãos, conturbaram um comício de Leonel Brizola em Belo Horizonte e o Comício da Central do Brasil promovido pelo governo, Jango, no Rio. Multidões de pessoas saiam em manifestações chamadas Marcha da Família com Deus pela Liberdade que acabaram por conquistar as camadas médias da sociedade e engrossaram as manifestações de repúdio,  ao governo vigente. Em 01 de abril de 1964 o Brasil acordou sob novo regime. Um golpe, liderado por militares e os setores conservadores da sociedade brasileira, depuseram o presidente João Goulart (Jango) e deram início a um regime ditatorial que sufocou o país por 21 anos. Sufoco relativo se compararmos aos dias atuais e aos anteriores á Revolução. Os governos populistas, apesar das promessas e feitos, não eram isentos de vícios: nepotismos, privilégios, falcatruas, empobrecimento das camadas populares e arrocho sobre as camadas médias, aumento da dívida externa e da inflação, etc. Era ruim, ficou pior após o golpe e hoje está péssimo: Conchavos políticos, corrupção, desemprego, saques, assaltos a bancos, falta de segurança interna, disfarçado abandono dos hospitais e escolas públicas, dívida externa astronômica; endividamento público correspondente a 60% do PIB; falsos índices de inflação; arrocho fiscal e salarial; cumplicidade cínica e espoliativa com organismos financeiros internacionais e vai por aí a fora. Mas internamente, qual era situação imediatamente anterior ao golpe? O período pós-revolução de 30 foi caracterizado pela existência de governantes que podemos denominar de populistas, política que procura manipular e utilizar as massas trabalhadoras para a sustentação do poder. Durante o período, de 1946 á 1964, foram eleitos para chefe do executivo, candidatos dos partidos PTB, UDN e PSD. Todos assumiram uma posição populista e trabalhista, apesar da incoerência de um membro da UDN, partido de empresários, assumir posições políticas populares/trabalhistas. Mas estava na moda. Garantia a eleição. Getúlio era um modelo e Com o término do mandato de JK em 1960, foi eleito Jânio Quadros, da UDN. Mas Jânio tinha ambições maiores. Tropeçou na sua estratégia e acabou tendo que renunciar em agosto de 1961, após sete meses de governo. Como mandava a constituição, assumiu seu vice, João Goulart, do PTB, e será ele o pivô da crise final da fase populista. Considerado esquerdista pelos setores mais conservadores, e, portanto uma ameaça, sofrerá pressões políticas comandadas pelo partido de oposição da época, a UDN e pela cúpula, que pretendiam impedir sua posse. Apoiava essa medida também, setores da imprensa, da igreja e outros organismos ditos idôneos da sociedade. Mas se tinha inimigos, tinha também amigos que o apoiava e eram contra os conservadores e a favor da posse, principalmente o governador do RGSUL, Leonel Brizola, e algumas lideranças militares de poder decisório significativos. Essa crise, sucessória, será contornada com uma medida conciliatória: Será aprovada uma Emenda á constituição, criando o parlamentarismo no país. No parlamentarismo, o poder é dividido entre o Chefe de Estado e o Chefe de governo. O primeiro não governa é apenas uma autoridade representativa da nação sem poder decisório. Quem governa é um primeiro-ministro escolhido pelo Congresso. Pronto. A constituição foi cumprida. Jango assumiu o poder e a oposição foi atendida. Jango não seria o efetivo governante do país. Ao assumir, Jango, se posicionou em defesa das reformas de base, principalmente a Reforma Agrária e a de controle do capital estrangeiro, que considerava espoliativo. O parlamentarismo se mostrava ineficiente. De 61 a 63, Jango vai se ocupar em eliminar esse dispositivo imposto pelo congresso. Com discursos moderados, inicia uma campanha para antecipar o plebiscito – que originalmente e constitucionalmente era previsto para 1965,  quando, uma eleição popular deveria aprovar ou não a manutenção desse sistema de governo. O resultado do plebiscito (9.457.448 votos pelo presidencialismo e apenas 2.073.582 a favor do parlamentarismo) devolveu a Goulart os poderes que lhe foram tirados para assumir o governo. Vencido o plebiscito em 1962 e abolido o parlamentarismo, Jango procurou por em prática as suas Reformas de Base que visava mudanças radicais no sistema financeiro, educacional, agrário,  fiscal e que eram repudiadas pelos conservadores que as consideravam de caráter marxistas. Durante todo o período do governo já havia e crescia uma forte conspiração contra Goulart. A oposição alertava para a ameaça do comunismo, que haveria de destruir as famílias, acabar com a propriedade privada e proibir a prática da religião. Essas propostas, dentre outras pirotecnias do presidente, foi o estopim que precipitou o golpe que depôs João Goulart. E o golpe veio num 31 de março (alguns dizem 01 de abril. Maldade!). Eclosão do Movimento No dia 30 de março as tropas do General Mourão Filho começam a se deslocar para o Rio de janeiro. Jango, visando combater essa iniciativa, despacha tropas para conter os militares mineiros, mas estas aderem ao movimento e ganha apoio de outras unidades militares de São Paulo, Guanabara do Rio Grande do Sul. Jango retira-se para o Rio Grande do Sul e desiste de organizar um movimento de resistência, apesar das pressões de Brizola que era favorável a um confronto. Em Brasília, o cargo de presidente é declarado vago. O presidente do senado, Auro de Moura Andrade, de acordo com a Constituição, empossa Ranieri Mazzili, que era o presidente da Câmara dos Deputados. O governo norte americano será o primeiro a reconhecer a nova situação. No dia quatro de abril de 1964, Jango parte para o exílio no Uruguai. Vitória da reação conservadora, comandada pelos militares, eliminando definitivamente o populismo e dando início a uma nova estratégia e temporada de caça aos oprimidos, desfavorecidos e em menor ou maior escala, á classe média. Como sempre ocorreu em todos os momentos da história brasileira…sem exceção. Os Governos Militares –  Á partir de 64, teve início uma nova era republicana. O país será governado pelos próximos 21 anos pelos militares.  Mudou pra pior ou para melhor…? O Brasil cresceu, houve um desenvolvimento relativo, mas o custo político foi desastroso, superou os benefícios e deixou marcas profundas e lembranças desagradáveis. Logo que assumiram, os militares colocaram em prática uma política repressiva com o intuito de combater a subversão e a corrupção, bem como a infiltração comunista na administração pública, nos sindicatos, nos meios militares e em todos os setores da vida nacional. A oposição, formada por intelectuais, políticos liberais, padres progressistas, sindicalistas, estudantes e grupos rebeldes eram combatidas de forma intolerante e violenta e a estratégia utilizada para legalizar essa atitude antidemocrática e autoritária era criar leis de exceções que, segundo eles, visavam manter a ordem social e a disciplina interna.  Não acabaram, imediatamente, com a constituição, modificavam-na sempre que necessário, criando os chamados Atos Institucionais que alteravam a carta magna. Outra particularidade que deve ser enfatizada se refere à didática político-administrativo desses militares que tomaram o poder. Compunha esses militares de dois grupos com propósitos idênticos, mas métodos divergentes e que disputavam entre si a liderança do movimento: o grupo da “Sorbonne” (Castelistas) liderados pelo Marechal Castello Branco e Golbery do Couto e Silva. Possuíam uma tendência mais moderada e pretendiam um governo repressivo-provisório-transitório. A repressão deveria durar o tempo necessário para que o país recuperasse a sua normalidade; Um outro grupo, eram os chamados “linha dura” cuja liderança concentrava-se nas mãos do general Costa e Silva. Para este grupo, a repressão deveria ser constante e rígida e sem nenhuma concessão aos inimigos “comunistas” e subversivos. Assumiu o poder, de imediato e em caráter provisório uma junta governativa formada por oficiais militares. Em abril de 1964, esta junta militar, editou o ato institucional 01, a princípio sem número, a lei passaria a ser designada como AI-1 somente após a divulgação do segundo ato. Era dado ao comando revolucionário direito de cassar mandatos legislativos, suspender direitos políticos pelo prazo de dez anos, demitir, colocar em disponibilidade ou aposentar aqueles que tivessem “atentados” contra a segurança do país, contra o regime democrático e acusados de “corrupção na administração pública”. Determinava, ainda, que dentro de dois dias seriam realizadas eleições indiretas para a presidência e vice-presidência da República. O mandato presidencial se estenderia até 31 de janeiro de 1966, prorrogado, posteriormente para 15 de março de 1967. As próximas eleições deveriam ocorrer em 3 de outubro de 1966. Na economia, os militares adotaram medidas, um tanto quanto, impopulares, visando equilibrar as finanças internas, resgatar capacidade de crédito externo e atrair capitais estrangeiros. Internamente, restringiram o crédito e coibiram os aumentos salariais para conter a capacidade de consumo da população e, conseqüentemente, diminuir a inflação que, naquele momento, ultrapassava os 80%. Para controlar o déficit nas contas do governo, aumentaram impostos, tarifas públicas e o corte de despesas na administração. Alguns direitos trabalhistas foram suprimidos, outros modificados visando beneficiar a classe empresarial. Barateando a mão de obra, aumentaria margem de lucro nas empresas ao mesmo tempo em que atrairia multinacionais interessadas em investir no Brasil, ávidas a explorar essa mão de obra. O Governo Castelo Branco –  De acordo com o AI-1, o Congresso Nacional aprovaria a indicação feita pelos militares que escolheram para a presidência da República o general Humberto de Alencar Castelo Branco, um dos principais articuladores da derrubada de Goulart. Para a vice-presidência foi eleito o civil José Maria Alckmin, deputado federal do Partido Social Democrático (PSD). Isso levou ao descontentamento aqueles civis que haviam apoiado a revolução. Frustrados em sua expectativa de participar das eleições no ano seguinte passaram a criticar o governo, principalmente, Carlos Lacerda, que era o mais interessado na disputa para o cargo de presidente. O marechal, Humberto de Alencar Castello Branco toma posse em 15 de Abril de 1964 e governará até março de 1967. Utilizando o Ato Institucional 01, toma de imediato uma série de medidas autoritárias: cassa mandatos de vários políticos (dentre eles, JK, Jânio e Jango), demite 10 mil funcionários públicos suspeitos de atos subversivos, intervém nos sindicatos, proíbe greves, extingue a UNE e várias entidades estudantis estaduais. Manda invadir e fechar a Universidade de Brasília e outras medidas consideradas saneadoras. O congresso, sobre pressão, aprova, a pedido do presidente, diversas medidas que amplia os poderes do governo. Em junho foi criado o SNI (Serviço Nacional de Informação), uma polícia  secreta incumbida de fiscalizar e investigar qualquer ato considerado subversivo em qualquer setor da vida nacional: escolas, universidades, órgão públicos, igreja, festivais, teatro, imprensa, radio e televisão, etc. No campo, as ligas camponesas (espécie de sindicatos de trabalhadores rurais) são reprimidas. O principal líder dessas organizações, Francisco Julião foi preso e teve seus direitos políticos cassados por dez anos. Não satisfeitos, o governo edita o Ato Institucional 02 (AI-2) que permitia decretar estado de sítio sem prévia autorização do congresso dissolver os partidos políticos; cassar mandatos políticos; estabelecer eleições indiretas para presidente da república. Atitudes tão autoritárias granjeava a antipatia popular. O governo percebendo que poderia ser derrotado nas eleições para governador dos Estados, baixa outro Ato Adicional, o AI-3, (fevereiro de 66) estabelecendo que as eleições para governador seriam indiretas. Para tornar essa medida mais efetiva, cassa inúmeros mandatos e acaba por fechar o congresso temporariamente.  Mais um Ato Adicional seria outorgado por Castello Branco, o AI-4, em novembro de 65, que instituía o bipartidarismo no país. Serão criados dois partidos: a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) que apoiaria o governo e o MDB que reuniria a oposição (sic). Com tantas leis esparsas, o governo opta por reuni-las em uma nova Constituição. Nesta é incorporada as decisões impostas pelos Atos Adicionais, aumenta o poder do executivo que passa a atuar como um regime ditatorial. Em março de 1967, entraria em vigor a nova constituição. Será a quinta constituição do país. Na economia, o governo Castello Branco, procurou incentivar o crescimento econômico e estabilizar a economia. Para isso tomou medidas gerais como restringir o crédito, conter os aumentos salariais e aumentar os impostos com o objetivo de diminuir a inflação; incentivou as exportações e proibiu a importação de inúmeros produtos. Pretendia com isso incentivar o desenvolvimento da indústria nacional e atrair capitais multinacionais; fez acordo com o FMI, facilitando a contratação de vultosos empréstimos no exterior; Inaugurou o BNH (Banco Nacional de Habitação) para financiar moradias para as classes populares. Essas medidas econômicas não tiveram resultados animadores. Provocou uma recessão, gerando desemprego e insatisfação da sociedade. Em 1967, termina o mandato de Castello Branco e o congresso indiretamente elege Costa e Silva para o Próximo Mandato. Governo Costa e Silva –  O governo de Arthur Costa e Silva assume em março de 1967 e se estende até agosto de 1969, quando é afastado por motivos de saúde. O insucesso da política do governo anterior provocara insatisfação em todos os setores da sociedade. Logo nos primeiros meses, o governo enfrenta uma onda de protestos que se espalham por todo o país. Em setembro de 67, o antigo aliado, Carlos Lacerda, com apoio de JK, Jango eLeonel Brizola, forma um grupo de oposição, a “Frente Ampla”, cuja finalidade era lutar pelo restabelecimento da democracia. Organizadas por estudantes, crescem por todo o país inúmeras manifestações de rua. Numa destas manifestações, um estudante, Edson Luís e morto em confronto com policiais. Setores da igreja, antiga aliada, se une ao movimento estudantil, políticos e membros da sociedade civil e organizam a “Passeata dos Cem Mil”, uma significativa mobilização da sociedade contra o regime militar. Os protesto se espalhavam em todas direções da sociedade. O movimento operário desafia o regime militar: em Contagem, Osasco, Rio de janeiro pipocam greves que demonstravam a insatisfação com a política do governo e, sobretudo com o arrocho salarial. Esse quadro é agravado quando ocorrem alguns atentados a bomba. As lideranças esquerdistas concluíam que a única maneira de tomar o poder dos militares seria através da luta armada. Nesse momento, influenciados pelo aparente sucesso da Revolução Cubana e pela atuação de Ernesto “Che” Guevara na Bolívia, surge a primeira organização guerrilheira no Brasil, a Aliança Libertadora Nacional (ALN) fundada pelo comunista Carlos Marighela. Outras organizações, recentes e remotas, engrossam o movimento: Var-palmares – Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, Partido Operário Comunista (POC), Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) e a Resistência Armada Nacionalista (RAN), Partido Comunista Brasileiro (PCB) e etc. O MDB, partido que reunia os “opositores” do regime, insufla a população contra o governo. O deputado federal, Márcio Moreira Alves, discursa na Câmara Federal, e denuncia as violências praticadas contra os estudantes, responsabilizando os militares pelas ocorrências. Diante de tantas e justas manifestações, desordens e rebeldia, o governo se radicaliza e outorga outro Ato Adicional, o AI-5, em dezembro de 68. O AI-5 foi o mais autoritário de todos os Atos Adicionais. Ao anular vários dispositivos da recente constituição de 67, o país se transformava numa verdadeira ditadura. O presidente passou a governar com poderes absolutos. Foi Concedido ao exército o direito de estabelecer medidas repressivas, tais como, decretar o recesso do congresso, das assembléias estaduais e das câmaras municipais. A censura dos meios de comunicação que já era praticada foi intensificada. Permitia ao ministro da Justiça intervir nas empresas jornalísticas de radiodifusão e televisão. O congresso foi fechado. Vários mandatos e direitos políticos foram cassados sumariamente, incluindo aí professores, jornalistas, intelectuais e até artistas como Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso “convidados” a deixar o país; Foram ainda suspensos por dez anos os direitos políticos do ex-governador Carlos Lacerda. O judiciário teve o seu poder limitado e estava vetada a aplicação de habeas-corpus em casos de crimes políticos; promulgar decretos-leis e atos complementares e demitir ou reformar oficiais das forças armadas e das polícias militares; decretar o estado de sítio sem anuência do Congresso; Alegando que a constituição de 67 não foi capaz de preservar a segurança interna, a tranqüilidade, o desenvolvimento econômico e cultural e a harmonia política e social do país, o governo Costa e Silva, reformulou-a em agosto de 69. Em decorrência do fechamento do congresso, Costa e Silva enviou o texto final da reforma constitucional aos gabinetes Civil e para ser referendada. Mas, no dia seguinte, 27 de agosto, antes da aprovação dessa reforma constitucional, Costa e Silva adoeceu. Teve uma trombose. Depois de deixar o governo, Costa e Silva morreu no Rio Janeiro, no dia 17 de dezembro de 1969. Os militares, desrespeitando a constituição, não entregaram o poder ao vice Pedro Aleixo. Organizaram uma junta militar e assumiram, eles próprios, em caráter provisório o governo do país. Durante a vigência desse governo, ocorreu o seqüestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, por organizações esquerdistas. O grupo revolucionário responsável exige como resgate a libertação de 15 presos políticos. – Click na Imagem – Essa exigência foi atendida  pelo governo. A junta militar, quase que imediatamente, outorga o Ato adicional AI-13, criando a pena de banimento e a aplica aos 15 presos libertados. Um outro Ato Adicional viria logo a seguir,  o AI-14, instituindo as penas de morte e de prisão perpétua para os casos de guerra revolucionária ou ações subversivas que colocasse em perigo a segurança do país. Essas medidas são incluídas na constituição de 1969 que ainda não havia sido referendada pelo congresso. Para que isso fosse possível, a Junta decreta a reabertura do Congresso, após dez meses de recesso, sendo afinal concretizada a reforma da Constituição de 1967(outubro 69). No que se refere ás realizações, o governo Costa e Silva não pode ser considerado produtivo. O excesso de agitações sociais e protestos políticos não deixava margens para um dinamismo administrativo mais acentuado.

A C&A recebe  até 15 de abril  inscrições para o seu 56º Programa de Trainees. Trata-se de um dos mais tradicionais programas do mercado e tem como objetivo selecionar novos talentos para atuar nas áreas de Negócios do Varejo. Os interessados devem se cadastrar no site da C&A: www.cea.com.br. Podem se inscrever candidatos graduados no período de julho de 2007 a julho de 2010 nos seguintes cursos: Administração de Empresas, Administração Mercadológica, Comércio Exterior, Arquitetura, Comunicação, Economia, Engenharia, Marketing, Relações Internacionais e Moda. Alguns dos requisitos exigidos dos candidatos são: inglês avançado ou fluente, visão comercial, perfil desafiador e empreendedor, disponibilidade para viagens e mudanças de cidade ou estado, gostar de assumir riscos e habilidade para se relacionar. A seleção é composta por várias etapas. Durante o processo seletivo, o candidato faz prova de inglês e de raciocínio lógico, passa por testes comportamentais, dinâmicas de grupo e, por fim, é entrevistado por diretores da empresa. Benefícios –  O Programa de Trainees da C&A é um dos mais antigos do gênero no Brasil, tendo sido lançado na década de 70, quando a empresa chegou ao Brasil. O índice de efetivação em cargo de gerência ao término do programa é de aproximadamente 80% dos participantes. Atualmente, 55% dos diretores da C&A são oriundos do Programa de Trainees. Aos trainees são oferecidos vários benefícios. Além do salário, compatível com o oferecido no mercado, a empresa oferece planos de saúde e odontológico, refeição, estacionamento, cartão de desconto em compras nas lojas C&A, entre outros. A empresa ainda se responsabiliza pelas despesas dos trainees que permanecerão fora dos seus Estados durante o programa, como locomoção e passagens aéreas para os participantes viajarem para suas cidades de origem. O Programa –  O treinamento tem duração de 15 meses e é composto por três módulos: operação de loja; compras; e especialização em gestão de lojas. Depois deste processo, o trainee assume o cargo de gerente e passará a ser responsável por uma unidade de negócio da C&A. A contratação dos aprovados no programa será realizada em agosto de 2010. Sobre a C&A –  Líder do mercado varejista de moda brasileiro e há 33 anos no país, a C&A foi criada em 1841 pelos irmãos Clemens e August, e a união de suas iniciais deu origem ao nome da empresa. A primeira loja foi inaugurada na Holanda, em 1861. A rede tornou-se uma das primeiras no mundo a oferecer roupas prontas aos consumidores. Em 1911, com o crescimento do negócio, a empresa instalou-se na Alemanha, e, posteriormente, em outros países da Europa. A C&A possui, atualmente, mais de 1,5 mil lojas na Europa, América Latina e Ásia. No Brasil, a primeira loja foi inaugurada em 1976. Atualmente, a C&A está presente em mais de 60 cidades brasileiras, com mais de 170 lojas. A empresa sempre orientou sua conduta baseada em princípios éticos e morais que, desde sua origem, privilegiaram a responsabilidade social e a transparência junto a todos os seus públicos: funcionários, fornecedores, clientes e as comunidades com as quais interage. Para tanto, a empresa fundou, em 1991, uma organização sem fins lucrativos, o Instituto C&A, que tem por objetivo promover e qualificar o processo de educação de crianças e adolescentes no Brasil. Sobre o Instituto C&A – O Instituto C&A, criado em 1991, concebe, planeja, gerencia e executa a política de investimento social da empresa. Sua missão é promover a educação de crianças e adolescentes das comunidades onde a C&A está presente, por meio de apoio técnico e financeiro, de alianças e do fortalecimento de organizações sociais. Atualmente, o trabalho do Instituto abrange organizações sociais que atuam em 62 cidades. O Instituto C&A organiza suas atividades e programas em torno de três áreas: Educação, Arte e Cultura, Desenvolvimento Institucional e Comunitário; Mobilização Social. Os programas desenvolvidos são: Prazer em Ler, Educação Integral, Educação Infantil, Redes e Alianças, Desenvolvimento Institucional e Voluntariado Empresarial. Os objetivos estratégicos que servem de base para a criação e desenvolvimento de seus programas e ações são: desenvolver competências organizacionais a fim de manter sua sustentabilidade; aumentar a eficiência e eficácia de seus processos de gestão; produzir conhecimento em educação e gestão institucional; desenvolver as organizações sociais e suas lideranças; contribuir para a realização das políticas públicas em educação; aumentar a eficiência e eficácia na aplicação dos recursos; assegurar oportunidades de participação social qualificada aos funcionários da C&A; e fortalecer as organizações sociais na sua relação com a escola e a família. Desde sua fundação, o Instituto C&A já investiu mais de US$ 64 milhões em 1.420 projetos sociais em todo o Brasil, envolvendo cerca de 1 milhão de pessoas, entre crianças, adolescentes, educadores e agentes de investimento social.

Depois de três meses de sucesso em 2009, comédia de Molière volta aos palcos na Pça. Roosevelt. O pai quer que a filha se case com o rapaz da mesma classe de nobreza, ela se finge doente para evitar a imposição. O lenhador pobre se faz passar por médico e promete a cura da menina para lucrar com o desespero do pai. Oportunistas movidos pela ganância. Essa é a temática principal da comédia O Médico à Força, de Molière, que a Cia. de Teatro Amigos da Uva reestreia no dia 10 de abril, sob direção de Milton Machado. A Cia. de Teatro Amigos da Uva é um grupo comprometido com a ideia de o teatro ser um meio de propor reflexões e mudanças, além de entretenimento, pois acredita que rir continua sendo o melhor remédio. Por isso, Moliére para marcar a estreia profissional do grupo. Por suas comédias satíricas, que expõem o comportamento da sociedade por meio de textos extremamente engraçados e bem escritos. A temporada no Teatro do Ator, na Praça Roosevelt, vai até 25 de setembro, todos os sábados, às 19h. No elenco, Marcos Manrai, Zilma Barros, Lucas Accurti, Gutto Trofynno, Viviany Olivier, Leandro Lima, Ariana Cavalcante e Roberto Blagin. Agenda: O Médico à Força. Estreia 10/04 (temporada todos os sábados até 25 de setembro de 2010) – 19h (duração 70’) – Teatro do Ator, Praça Roosevelt, 172 (estacionamento próximo) – 11.3257-2264. Bilheteira: de terça a domingo, das 16h às 22h, não aceita cartões. Informações/Vendas: 11. 9137-5819 / 3337-2039. R$ 30,00. Meia-entrada para: estudantes com carteirinha, idosos acima de 60 anos, pessoas da classe teatral com DRT. Classificação etária: 12 anos. Informações sobre a Cia.: 11. 9137-5819 / 3337-2039. Ficha Artística e Técnica do Espetáculo. Autor: Molière. Tradução: Daniel Almeida. Direção geral, concepção de cenografia, figurinos e Iluminação: Milton Machado. Elenco: Marcos Manrai, Zilma Barros, Leandro Lima, Vivi Oliveira, Gutto Trofynno, Roberto Blagin, Lucas Accurti e Ariana Cavalcante. Trilha Sonora: Mauro Pucca. Ilustrações e Designer: Willian Barros e Pedro Casali. Produção: Zilma Barros, Leandro Lima e Roberto Blagin. Assistente de Direção: Roberto Blagin. Direção Geral: Milton Machado: Ator e Diretor profissional desde 1983 foi  integrante  do Grupo de Arte Boi Voador, fez curso de Preparação Vocal com Maestro Pedro Paulo Bogossian,  Preparação de Clown com Dácio Lima e Interpretação  para  TV  e  Cinema  com Fátima Toledo. Foi jurado na Categoria Teatro da Mostra de Artes de Diadema —Júri convidado da Banca Examinadora do Sindicato dos Artistas de São Paulo  —SATED. No teatro atuou em diversos espetáculos, dentre eles: “O Amor Venceu”, “Quarteto em Rir Maior”, “Guerras dos Sexos”, “Santos Dumont”. Ainda no teatro dirigiu os seguintes espetáculos: “Le Petit Santos”, “Mini-Histérico”, “As Aparências Não Enganam”,  “Mistério na Mata”, “S.O.S Planeta Terra”, “Bioboom”, “O Mundo Mágico de Monteiro Lobato”. Já no cinema atuou nos filmes: “Hans Staden”, “A Hora da Mágica”, “Ed Mort procura Silva”.

O pequeno teatro e restaurante recebe alguns dos maiores violonistas do país: Chico Saraiva, Chico Pinheiro, Daniel Murray, Fábio Zanon, Guinga, Marco Pereira, Paulo Bellinati, Swami Jr., Ulisses Rocha e Weber Lopes, entre 5 e 11 de abril. Foi sempre muito natural a presença do violão na Casa de Francisca. Desde o início, quando a casa ainda insistia para que se fizesse silêncio durante as apresentações, o violão foi um dos instrumentos que mais agradeceu esse simples gesto. Agora, a Casa de Francisca faz uma semana só com grandes violonistas. De diversos estilos, gêneros, repertórios e gerações. Em uma proposta única nos espaços musicais de São Paulo, a Casa de Francisca (Rua José Maria Lisboa 190 – Jardim Paulista – tel.: 3052.0547 – http://www.casadefrancisca.art.br), é o pequeno teatro e restaurante que se destaca por sua programação musical diferenciada. A programação da Semana do Violão é: Segunda 05/4 – 21h30 – MARCO PEREIRA E SWAMI JR. – R$35,00;  Terça 06/4 – 21h30 – DANIEL MURRAY E DUO SARAIVA-MURRAY – R$17,00;  Quarta 07/4 – 21h30 – ULISSES ROCHA E CHICO PINHEIRO – R$35,00; Quinta 08/4 – 21h30 – PAULO BELLINATI E WEBER LOPES – R$35,00; n Sexta 09/4 – 22h30 – PAULO BELLINATI E WEBER LOPES – R$35,00;    Sábado 10/4 – 22h30 – FÁBIO ZANON – R$35,00; Domingo 11/4 – 21h30 – GUINGA E CHICO SARAIVA – R$35,00.   Sobre músicos e repertórios: Segunda 05/4 – 21h30 – MARCO PEREIRA E SWAMI JR. – R$35,00. Marco Pereira é natural de São Paulo onde fez seus estudos de violão sob a orientação do mestre uruguaio Isaias Sávio no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Viveu na França por cinco anos; recebeu o título de Mestre em Violão pela Université Musicale Internationale de Paris e defendeu tese sobre a música de Heitor Villa-Lobos no Departamento de Musicologia da Universidade de Paris-Sorbonne. Atualmente é professor adjunto no Departamento de Composição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Suas composições estão editadas pela Editora Lemoine de Paris e pela GSP (Guitar Solo Publications – San Francisco, CA – USA – http://www.gspguitar.com). Suas obras para violão têm sido gravadas e tocadas em concerto por grandes intérpretes americanos e europeus. Swami Jr. é violonista (7 cordas), baixista, produtor, arranjador e compositor brasileiro que já gravou e se apresentou com grandes artistas da música brasileira e internacional como: Omara Portuondo (Cuba), de quem é o diretor musical, Chico Cesar, Elba Ramalho, Lokua Kanza (Congo), Zelia Duncan,  Vanessa da Mata, Rita Lee, Elza Soares, Zeca Baleiro,Tom Zé, Rita Ribeiro, Luciana Souza, José Miguel Wisnik, Na Ozzetti, Danilo Caymmi, Virginia Rosa, Chico Pinheiro, Vânia Bastos, Luiz Tatit, Marco Pereira, Marcos Suzano, Moska, Dominguinhos, entre outros. Repertório: Na baixa do sapateiro (Ary Barroso); Bate-coxa e Amigo Léo (Marco Pereira); Dois (Swami Jr.); Saudade da Bahia (Dorival Caymmi); Pixinguinha (Radamés Gnattali); Luz Negra (Nelson Cavaquinho); além de temas do Baden, Jobim e outros temas da dupla. Terça 06/4 – 21h30 – DANIEL MURRAY E DUO SARAIVA-MURRAY- R$17,00. Daniel Murray começou a estudar violão clássico aos seis anos de idade e, aos 15, foi segundo colocado no Councours International de Guitarre de Trédrèz- Locquémeau (Bretanha, França). Murray desenvolve ativa carreira como arranjador e intérprete. Faz parte do Paulo Bellinati Trio (com Israel de Almeida), do Trio Opus 12 (com Paulo Porto Alegre e Edelton Gloeden) e do Núcleo Hespérides-Música das Américas. Repertório: Imagina (Jobim arr. Daniel Murray); Bate Boca (Jobim arr. Paulo Bellinati); Tom e Preludio (Paulo Bellinati); Tema para Ana/ Preciso Tanto de Você (Jobim arr. Daniel Murray); Chora Coração (Jobim arr. Paulo Bellinati); Estrada Branca (Jobim arr. Paulo Bellinati); Garoto (Jobim arr. Paulo Bellinati).  Duo Saraiva-Murray: Formado pelos violonistas Chico Saraiva e Daniel Murray tem fortes referências do repertório brasileiro e de violonistas como Egberto Gismonti, Paulo Bellinati e Guinga. Articula campos múltiplos do fazer musical: o folclore e a vanguarda, a música escrita e a improvisada, a canção e o violão, o popular e o erudito. Tendo já significativas atuações individuais nesses universos, os jovens integrantes do Duo apresentam, juntos, linguagens camerísticas próprias, que possibilitam parcerias com músicos, intérpretes e criadores de diferentes áreas. Em 2009 o Duo fez turnê pela Europa, tocando em Paris, Londres e Lisboa. Chico Saraiva é considerado um dos melhores músicos de sua geração. Foi vencedor do 6º Prêmio Visa de MPB – Edição Compositores. Seu trabalho, desde sua estréia com o CD Água, apresenta um equilíbrio que segue trajetória entre o sofisticado e o popular. Além de Água, Saraiva tem mais três CDs gravados: Trégua, considerado ‘uma obra-prima’ pela revista francesa Les Inrockuptibles; Saraivada e Sobre Palavras (com Verônica Ferriani e Mauro Aguiar). Repertório Duo Saraiva-Murray: Três Tardes de Lua (Chico Saraiva); O Boto (Tom Jobim); Agatha (Chico Saraiva); Galope (Chico Saraiva); Martelo (Chico Saraiva); Coco (Chico Saraiva); Saraivada (Chico Saraiva);  Jongo (Paulo Bellinati). Quarta 07/4 – 21h30 – ULISSES ROCHA E CHICO PINHEIRO – R$35,00. Ulisses Rocha nasceu no Rio de Janeiro, iniciou seus estudos de violão erudito em São Paulo com o professor Antônio  Manzione em 1970. Em 1977, ingressou no CLAM (Centro Livre de Aprendizagem Musical) escola  de música fundada pelo Zimbo Trio, onde aprimorou seus conhecimentos  em teoria, harmonia e improvisação, e onde dois anos mais tarde  viria a lecionar. Participou do grupo D’alma, trio de violões que revolucionou a linguagem do instrumento, e esteve em diversos festivais internacionais de Jazz, como os de Paris, Montreal, Quebec, Ottawa, New York além do Free  Jazz Festival, no Brasil. O D’Alma deixou três discos, dois dos  quais com a participação de Ulisses. Foi indicado duas vezes para o prêmio Sharp nas categorias de  melhor música instrumental e melhor solista. Ulisses Rocha é professor da Faculdade de Música da Unicamp desde 1990. Chico Pinheiro é considerado um dos artistas mais expressivos da música brasileira contemporânea. Guitarrista, compositor e arranjador, nasceu em São Paulo. Autodidata, começou tocando violão e piano aos 7 anos de idade e passou a atuar profissionalmente aos 15 anos. Formado pela Berklee College of Music, em Boston, Chico é hoje celebrado como excepcional instrumentista e compositor único, de extrema originalidade e maturidade, e já reconhecido por Edu Lobo, Moacir Santos, Brad Mehldau e Cesar Camargo Mariano como uma das novas referências, um novo sopro na música brasileira. Quinta 08/4 – 21h30 – PAULO BELLINATI E WEBER LOPES – R$35,00; Sexta 09/4 – 22h30 – PAULO BELLINATI E WEBER LOPES – R$35,00.  Paulo Bellinati, natural de São Paulo, é um dos mais respeitados violonistas brasileiros em todo mundo. Além de uma sólida carreira em palcos internacionais, é também compositor e arranjador brilhante, com peças executadas e gravadas por violonistas como John Williams, Fábio Zanon,  Los Angeles Guitar Quartet, Quaternaglia, Carlos Barbosa Lima e Duo Assad. Sua peça Jongo, ganhou o 1º prêmio no Festival Internacional de Composição para Violão da Martinica e já conta com mais de 50 gravações em todo mundo. Vários de seus  CDs são referência de qualidade no Brasil e no mundo, entre eles, “The Guitar Works of Garoto”, sobre a obra de Aníbal Augusto Sardinha (Garoto), e “Afro-Sambas”, em duo com a cantora Mônica Salmaso. Weber Lopes, nascido em Guanhães, Minas Gerais, é um dos grandes violonistas brasileiros da nova geração. Seus CDs têm sido elogiados pela imprensa nacional e internacional e seu talento, reconhecido pelo público. Já trabalhou com músicos como Toninho Horta, Yamandú Costa, Hamilton de Holanda e Nivaldo Ornelas. Já foi premiado com prêmios como o BDMG Instrumental e o Pro-música. Seu 1º, Flor do Tempo (1999) foi considerado um dos mais importantes lançamentos do ano. O 2º, MAPA (2005), tem tido uma trajetória de sucesso em palcos mineiros e nacionais. Weber tem se apresentado em países como Itália, Alemanha, Suíça, Lituânia, Nova Zelândia, França e Finlândia. Sábado 10/4 – 22h30 – FÁBIO ZANON – R$35,00. Fábio Zanon é uma das figuras dominantes no cenário internacional de violão clássico. Como solista ou camerista, tem se apresentado por toda a Europa, América do Norte e do Sul, Austrália e Oriente Médio, e é convidado regular de teatros como o Royal Festival Hall e Wigmore Hall em Londres, Carnegie Recital Hall em Nova York, Sala Verdi em Milão, Musikhalle em Hamburgo, Ateneo em Madri, KKR em Lucerna e todos os maiores teatros do Brasil. Zanon tem levado sua arte às novas gerações, ministrando cursos em todo o mundo, incluindo a Royal Academy e Royal College of Music em Londres, Academia Gnessin em Moscou, Universidade de Viena e, de Nova York a Los Angeles, já visitou a maioria das universidades de maior prestígio nos EUA, além de atuar regularmente em festivais na Grã-Bretanha, EUA, Canadá, Brasil, Espanha, Alemanha, Áustria, República Tcheca, Polônia, Portugal, Uruguai, Austrália, etc. Domingo 11/4 – 21h30 – GUINGA E CHICO SARAIVA – R$35,00. Guinga nasceu no Rio de Janeiro. Aprendeu violão intuitivamente aos 13 anos de idade, e depois estudou violão clássico por 5 anos, com o professor Jodacil Damasceno. Começou a compor aos 16 anos, classificando a sua primeira canção aos 17 anos no Festival Internacional da Canção.  Trabalhou profissionalmente, acompanhando artistas como Clara Nunes, Beth Carvalho, Alaíde Costa, Cartola, João Nogueira, entre outros.  Formou-se em Odontologia em 1975. Teve várias de suas composições gravadas por nomes importantes: Elis Regina, Michel Legrand, Sérgio Mendes,  Leila Pinheiro, Chico Buarque, Clara Nunes, Ivan Lins e outros. Suas composições são parcerias feitas com Paulo César  Pinheiro, Aldir Blanc, Chico Buarque, Nei Lopes, Sérgio Natureza,  Nelson Mota, Simone Guimarães, Francisco Bosco, Mauro Aguiar e  Luis Felipe Gama. Gravou 6 cds pela gravadora Velas. Chico Saraiva é considerado um dos melhores músicos de sua geração. Foi vencedor do 6º Prêmio Visa de MPB – Edição Compositores. Seu trabalho, desde sua estréia com o CD Água, apresenta um equilíbrio que segue trajetória entre o sofisticado e o popular. Além de Água, Saraiva tem mais três CDs gravados: Trégua, considerado ‘uma obra-prima’ pela revista francesa Les Inrockuptibles; Saraivada e Sobre Palavras (com Verônica Ferriani e Mauro Aguiar). CASA DE FRANCISCA: Rua José Maria Lisboa, 190 – 3052.0547 – reservas@casadefrancisca.art.br; Funciona de terça a sábado, das 20h00 até 1h e domingo das 19h as 24h. Capacidade: 44 pessoas. Pagamento cheque, dinheiro ou Visa débito. Serviço de bar e restaurante somente antes e depois dos espetáculos.

Não é segredo para ninguém que sou fã de Opera-Rock e dentre elas Jesus Christ Superstar que é um musical de rock de Andrew Lloyd Webber, com texto de Tim Rice. Apresentado em 1970, destaca as lutas políticas e pessoais de Judas Iscariotes e Jesus. A ação ocorre, na maior parte, conforme os evangelhos da Bíblia sobre a última semana da vida de Jesus, começando com a chegada em Jerusalém e terminando com a Crucificação. Atitude moderna e gírias prevalecem nas letras e há alusões irônicas à vida moderna enquanto a visão política dos acontecimentos é retratada. As produções cinematográficas e teatrais apresentam muitos anacronismos, na visão dos sectários, isto é, daqueles que querem separar política de religião. Grande parte do enredo é focado na personagem de Judas, que é retratado como uma figura trágica, realista e conflitada que não está satisfeita com a aparente falta de planejamento político e afirmações de divindade de Jesus. Após uma pequena abertura musical, a peça começa com um monólogo musical do apóstolo Judas Iscariotes, que expressa sua preocupação com a sempre crescente popularidade de Jesus como “rei” e as repercussões negativas que isso pode ocasionar (“Heaven on Their Minds”). Apesar de Judas ainda amar Jesus como ser humano, está claro para ele que seu movimento está crescendo demais e eventualmente se tornará uma ameaça à ordem maior. E, uma vez que se torna uma ameaça à ordem maior, não só Jesus sofrerá as conseqüências, assim como todos seus seguidores. No entanto, o aviso de Judas não é ouvido, já que os seguidores de Jesus estão decididos em ir a Jerusalém com Jesus. Enquanto eles questionam Jesus sobre quando chegarão em Jerusalém, Jesus diz a eles para pararem de se preocupar com o futuro, já que o que acontecerá já está predeterminado pelo destino (“What’s the Buzz”). Vendo que Jesus está irritado com a badulação de seus seguidores, Maria Madalena ajuda Jesus a relaxar massagendo-o com ungüento. No entanto, Judas expressa sua preocupação com o fato de Jesus estar se associando a Maria, quem ele acredita ser uma concubina. Judas diz que, ao se associar com ela, ele (Jesus) está contradizendo tudo que pregou e que isso, em troca, será usado contra ele e seus seguidores (“Strange Thing Mystifying”). Jesus irrita-se com Judas e diz que, a não ser que ele não tenha cometido pecados, ele não deveria ficar julgando o caráter dos outros. Jesus então fala a seus seguidores que eles não são melhores que Judas, já que o fato de eles estarem preocupados em ir a Jerusalém e aumentar o número de seguidores é uma prova clara de que eles não ouvem o que ele (Jesus) diz e não se importam com ele, mas somente com o poder que ele pode os trazer. Jesus está visivelmente pessimista sobre o futuro, mas Maria Madalena tenta assegurá-lo que tudo ficará bem e tenta relaxá-lo com mais ungüento (“Everything’s Alright”). Em resposta, Judas diz que o dinheiro utilizado para obter o ungüento poderia ter sido utilizado para causas mais filantrópicas, como ajudar os pobres. Mas Jesus insiste que ele e seus seguidores não têm os recursos necessários para ajudar cada pessoa pobre, e que isso não é uma esperança realista. Jesus canta que sempre haverá pobres, “lutando pateticamente”. “Olhe as coisas boas que tem/ pense enquanto ainda tem a mim/ mova-se enquanto ainda me vê/ estará perdido/ está tão arrependido/ quando eu me for”. Enquanto isso, Caifás e outros sacerdotes judeus de alto-escalão encontram-se para discutir sobre Jesus e seu movimento. Neste ponto, seus seguidores continuam a crescer aos milhares, ao ponto da ordem maior tomar conhecimento da tendência. Dado o tamanho do movimento de Jesus e o fato de que o movimento consiste principalmente de judeus que não querem aceitar os romanos como seus reis (em contraste aos poderosos sacerdotes judeus), está claro aos sacerdotes que ele está se tornando uma ameaça ao Império Romano. E se o Império estiver ameaçado, então muitos judeus sofrerão, talvez até mesmo aqueles que não seguem Jesus. Enquanto todos sacerdotes tentam resolver o problema de Jesus e seus seguidores, Caifás declara que a única solução real é matar Jesus (“This Jesus Must Die”). Quando Jesus e seus seguidores chegam em Jerusalém, eles são confrontados por Caifás, que exige que Jesus mande-os voltar e se separar. Jesus responde que acabar com a histeria é impossível (“Hosanna”). Após isso, Simão, o Cananeu vai falar com Jesus. Percebendo a popularidade que Jesus recebeu, Simão sugere que Jesus lidere seus seguidores numa guerra contra Roma e ganhe poder absoluto (“Simon Zealotes”). Mas Jesus rejeita veementemente a sugestão, declarando que nenhum dos seus seguidores entendem o que poder verdadeiro é, nem sua verdadeira mensagem (“Poor Jerusalem”). Enquanto isso, Pôncio Pilatos, o procurador da Judéia, revela um sonho que teve. O sonho prevê seu encontro com Jesus e o resultado da morte de Jesus, no qual Pilatos recebe toda culpa. No entanto, Pilatos não sabe ao certo qual é o significado de seu sonho (“Pilate’s Dream”). Jesus chega no templo em Jerusalém e descobre que ele está sendo utilizado para vender todos os tipos de coisas, de armas a prostitutas, além de drogas. Quando Jesus chega, ele está furioso e exige que os mercadores e cambistas saiam do templo (“The Temple”). Irritado e cansado, Jesus sai e é confrontado por uma multidão de leprosos, aleijados e mendigos, todos querendo ser curados. Mas a multidão é muito grande e Jesus fica esmagado. Sem poder agüentar a pressão, Jesus pede para ser deixado sozinho. Após a multidão partir, Maria Madalena encontra Jesus decepcionado. Maria sugere que ele descanse e, enquanto Jesus dorme, Maria reflete sobre o fato de Jesus ser diferente de qualquer outro homem que ela tenha amado antes. Como resultado disso, Maria não sabe como lidar com seus sentimentos (“I Don’t Know How to Love Him”). Enquanto isso, Judas continua a se preocupar mais e mais com o sempre crescente movimento de Jesus. Sem saber o que fazer, ele visita secretamente os sacerdotes do alto-escalão. Judas implora para eles ajudarem-no a encontrar uma solução, mas que não o condene (“Damned for All Time”). A solução oferecida por Caifás é que Judas revele o paradeiro de Jesus, para que as autoridades possam capturá-lo e prendê-lo. Em troca da informação, oferecem dinheiro a Judas, que inicialmente declina a oferta, já que vai contra sua ética pessoal. Eventualmente, ele acaba aceitando após Caifás falar sobre a caridade que ele pode fazer com o dinheiro. Judas decide que seria melhor entregar Jesus antes que seu movimento aumente ainda mais, o que ocasionaria não somente a morte dele, mas de todos os seus seguidores também. Então, para salvar os milhares de seguidores e a ele mesmo, Judas revela que na noite de quinta-feira Jesus de Nazaré estará no Jardim do Getsêmani (“Blood Money”). Na quinta-feira, Jesus se encontra com seus doze apóstolos para a Última Ceia. Jesus percebe, sem o conhecimento dos apóstolos, que será sua última ceia com eles. Enquanto Jesus passa o pão e o vinho àqueles que jantam com ele, ele os lembra que devem pensar no vinho como seu sangue e o pão como seu corpo. Após refletir, Jesus reconhece que, até agora, nenhum dos seus seguidores entenderam verdadeiramente sua pessoa e sua mensagem de amor. Ele também percebe que será traído e negado por dois amigos próximos. Com raiva, diz aos outros que ninguém sequer irá lembrar dele após sua morte e que dois de seus amigos próximos irão traí-lo e negá-lo, revelando que Pedro será aquele que o nega, não uma, mas três vezes. Judas então se revela como a pessoa que irá cometer a traição, tentando explicar o motivo, mas Jesus se recusa a ouvir, o que deixa Judas irritado e ele culpa Jesus por todos os problemas que ocorreram até este ponto. Decepcionado, Judas sai para encontrar a polícia e trazê-los a Jesus (“The Last Supper”). Após seus apóstolos terem ido dormir, Jesus fala com Deus, seu pai. Jesus O questiona perguntando o motivo de ele ter que ser quem morre e o que sua morte significará no “grande esquema das coisas”. Mas Jesus reconhece que não pode ir contra o plano divino – seja sabendo o significado de sua morte ou não –, e concorda em morrer de acordo com o plano (“Gethsemane”). Judas chega com a polícia e para mostrá-los quem é Jesus, beija-o na bochecha. Jesus é preso. Quando seus apóstolos acordam, tentam lutar com as autoridades para liberar seu messias, mas Jesus pede a eles que guardam as espadas e deixem as autoridades levá-lo a Caifás. Enquanto é levado a Caifás, uma multidão de repórteres perguntam a Jesus o que ele fará, mas ele não quer comentar o assunto. Quando Jesus encontra-se com Caifás, Caifás pergunta se ele é o filho de Deus. Jesus responde dizendo que nunca disse isso sobre si mesmo, e que somente os outros o chamavam assim. Tal resposta já serve de justificativa para os sacerdotes enviarem Jesus a Pôncio Pilatos (“The Arrest”). Enquanto isso, o apóstolo Pedro é confrontado por um velho, um soldado e uma criada, tendo cada um deles dito que lembrava ter visto Pedro com Jesus, mas Pedro nega, a todos os três, que o conhece. A negação de Pedro é testemunhada por Maria, que, depois dos três irem embora, pergunta a Pedro por que ele negou Jesus. Pedro responde que teve de o fazer para salvar a si mesmo, já que provavelmente seria preso e processado se fosse descoberto que era amigo próximo de Jesus. Maria se pergunta como Jesus sabia que Pedro iria traí-lo (“Peter’s Denial”). Jesus é trazido a Pilatos, que debocha dele. Quando Pilatos pergunta a Jesus se ele é o filho de Deus, Jesus diz a Pilatos a mesma resposta que deu a Caifás: “É o que vocês dizem”. Pilatos não fica satisfeito com a resposta, mas como Jesus é da Galiléia, ele não está sob sua jurisdição, e então o envia para o Rei Herodes (“Pilate and Christ”). Herodes ouviu toda história sobre Jesus e está animado por finalmente conhecê-lo, mas fica frustrado quando Jesus opta por não demonstrar seus supostos poderes. Herodes decide que Jesus é somente outro falso messias e nem quer perder seu tempo processando-o. Herodes o envia de volta a Pilatos (“King Herod’s Song”). Numa cena adicionada para a produção da Broadway, os apóstolos e Maria Madalena lembram de quando tudo começou e desejam que pudessem apenas começar tudo de novo (“Could We Start Again Please?”). Neste ponto, Judas já viu Jesus, mal-tratado pelas autoridades e cansado. Sentindo muita culpa, Judas volta a se encontrar com sacerdotes de alto-escalão e expressa arrependimento sobre o que fez. Ele sente que, depois de tudo, será culpado pela morte de Jesus e será para sempre lembrado como o traidor desleal. Caifás diz que Judas não tem motivos para ficar envergonhado e que o que fez salvará a todos. No entanto, isso não tira a culpa de Judas. Quando é deixado sozinho, ele se sente traído por Deus por ter sido escolhido como aquele que trai Jesus. Culpa a Deus por ter o assassinado e se enforca (“Judas’ Death”). Jesus é trazido de volta a Pilatos para seu julgamento. Pilatos pede a Jesus para se defender, mas ele mal consegue falar. Pilatos decide que, como Jesus não está estável mentalmente, ele ainda não merece morrer, mas isso não satisfaz a multidão, que pede constantemente para Pilatos crucificá-lo. Relutante em aceitar o pedido do povo, ele tenta satisfazer o desejo de sangue da multidão flagelando Jesus. Após 39 chicotadas, o povo ainda está insatisfeito. Jesus está tão batido que até Pilatos está se sentindo culpado. Esperando de alguma maneira libertar Jesus, ele implora para o messias se defender. Mais uma vez, Jesus não se defende. Com a multidão gritando pela crucificação de Jesus e com ele se negando a dar um motivo para Pilatos não o matar, relutantemente, Pilatos aceita crucificá-lo. No entanto, Pilatos quer fugir da responsabilidade e lava o sangue de suas mãos (“Trial Before Pilate”). Enquanto Jesus se prepara para ser crucificado, o espírito de Judas se encontra com ele. Judas questiona por que Jesus escolheu chegar da maneira que chegou e se o que aconteceu com ele era realmente parte de um plano divino (“Superstar”). Jesus morre lentamente na cruz (“The Crucifixion”). A peça termina com uma canção instrumental, “John 19:41”. O título é uma referência ao verso da Bíblia sobre Jesus sendo posto na tumba: “No lugar onde Jesus fora crucificado, havia um jardim, e neste, um sepulcro novo, no qual ninguém tinha sido ainda posto”.

Muitas vezes a Motown é descrita como a editora que, nos anos 60, levava a música negra aos ouvidos da América branca… E de facto assim aconteceu. Nomes como as Supremes, Temptations ou Martha & The Vandellas somaram êxitos logo nos primeiros anos de vida da editora. Êxitos que rapidamente ultrapassaram o público negro, que antes já seguia de perto o rhythm’n’blues, e que conquistaram aos poucos os ouvidos da América branca, num processo que faria da música soul, tal como o jazz, um dos primeiros espaços a ultrapassar velhos hábitos de segregação. Uma aventura que começou, faz hoje 50 anos. Berry Gordy (n. 1929), na foto, o fundador da companhia, seu responsável e figura tutelar até 1988, costumava contar que, ao contrário de outras editoras, a Motown não tinha sido fundada. Nascera… E nasceu a 12 de Janeiro de 1959, em Detroit, quando o ex-jogador de boxe e antigo dono de uma loja de discos recebeu um empréstimo de 800 dólares. Gordy somava já uma história de vida recheada em acontecimentos quando desses 800 dólares fez nascer uma editora. Tinha trabalhado na fábrica da Ford, tinha assinado uma canção de sucesso para Jackie Wilson (o clássico Reet Petite) e até mesmo obtido o sucesso com o single Money (That’s What I Want). O dinheiro que quis chegou da família e, desafiado por Smokey Robinson, passou a prensar os seus próprios discos. Robinson respondeu ao desafio lançado ao amigo, “oferecendo” à editora, dois anos depois, o seu primeiro êxito com vendas superiores a um milhão de exemplares, com Shop Around. No primeiro ano de vida, a editora apresentava-se como Tamla Records. Mas, nascida na cidade dos automóveis (muitas vezes referida como “motor city”), a editora acabaria por ser rebaptizada como Tamla Motown pouco depois. Antes da chegada dos êxitos que transformariam as suas finanças, a Tamla Motown era uma pequena operação. Era o próprio Berry Gordy quem embalava e enviava os discos para as lojas. E era também ele quem os levava às estações de rádio. Com o tempo, a editora cresceu. Ao mesmo tempo ia definindo uma identidade que passava, em grande parte, por uma abordagem à emergente música soul através de características da canção pop. Nasce assim o “som Motown”, que rapidamente se apresenta como o “som da América jovem”. Cruza barreiras e chega aos ouvidos da América branca. E a marca torna-se incontornável no panorama musical global depois de, em 1964, conquistar o seu primeiro número um, com My Guy, de Mary Wells. Seguem-se êxitos com as Supremes, Temptations, Frank Wilson, Four Tops, Gladys Knight & The Pips. Martha Reeves & The Vandellas. E, já nos anos 70, com os Jackson 5, Marvin Gaye ou Stevie Wonder. Hoje diluída entre as etiquetas do grupo Universal, a Motown é uma marca com sabor a história. Dividiu com a “rival” Stax Records (de Memphis, no Tennessee) algumas das páginas de maior protagonismo na construção de um género que lhes deve a existência como o conhecemos: a música soul.

Big Boy, pseudônimo de Newton Alvarenga Duarte (1 de junho de 1943 – São Paulo, 7 de março de 1977), foi o mais importante disc jockey de sua época, responsável por uma verdadeira revolução no rádio brasileiro. Como locutor, introduziu uma linguagem jovem, mais próxima do público que o ouvia. Seu “hello crazy people!”, a maneira irreverente como saudava os ouvintes, tornou-se marca registrada de um estilo próprio, descontraído, diferente da voz empostada dos locutores de então. Como programador, demonstrou extrema sensibilidade ao captar o gosto do público, observando as tendências musicais ao redor do mundo e inovando a partir de idéias que modificariam todo um sistema de programação estabelecido. Apaixonado por música desde a infância, iniciou uma coleção que chegou a 20 mil discos ainda adolescente, manifestando preferência pelo rock, o então novo ritmo americano que conquistou os jovens no mundo todo. Também costumava “peregrinar” na Rádio Tamoio do Rio de Janeiro – a rádio que apresentava a programação mais atualizada na época – procurando manter contato com os programadores e outros aficionados por rock em busca de informações e de uma oportunidade profissional – seu sonho desde então que procurou alcançar com obstinação. A oportunidade finalmente surgiu quando foi convidado para substituir um programador que entrara em férias. Assim, não hesitou em interromper a carreira de professor de geografia para tornar-se radialista. Mais tarde foi convidado para participar de uma bem-sucedida tentativa de reformulação da Rádio Mundial AM, que se tornaria a rádio de maior audiência entre o público jovem do Rio de Janeiro. Foi ali que iniciou sua atuação como DJ, ganhou o apelido de Big Boy e criou o estilo inconfundível que continua até hoje influenciando locutores – inclusive das modernas rádios FM, cujas programações muitas vezes ainda seguem os moldes de seus programas. Com sua voz alegre e postura informal, complementava as músicas que tocava com informações “quentes” sobre o mundo do disco, impondo uma dinâmica irresistível ao programa; tudo isso sem perder o jeito de fã dos artistas, o que o aproximava ainda mais dos ouvintes. Big Boy também pode ser considerado o primeiro “profissional multimídia” do show business brasileiro. Programador e radialista eclético, diversificava sua atuação mantendo como elo de ligação a paixão pela música contemporânea nos seus diversos segmentos e movimentos. Além de manter dois programas diários na Rádio Mundial, Big Boy Show e Ritmos de Boite, um na Rádio Excelsior de São Paulo e um semanal especializado em Beatles, o Cavern Club, também na Mundial, atuava como programador, colunista em diversos jornais e revistas, produtor de discos e DJ dos Bailes da Pesada, onde mantinha um contato direto com o público que gostava especialmente de soul e black music, principalmente na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em televisão, inovou ao apresentar em sua participação diária no Jornal Hoje da TV Globo, pela primeira vez, film clips com músicas de sucesso do momento. Em seu programa Papo Pop, na TV Record de SP, lançou grupos brasileiros de vanguarda. Foi também o responsável pela implantação do projeto Eldo Pop, no início das transmissões em FM no Brasil. A lendária rádio (antiga Eldorado FM), especializada em rock progressivo, visava contemplar um público restrito mas altamente especializado em seu gosto musical e que encontrava ali um veículo de expressão da autêntica música de vanguarda. Chegou a participar como ele mesmo da novela cômica Linguinha, ao lado do humorista Chico Anysio (TV Globo – 1970). Ao longo de toda sua vida profissional, Big Boy continuou ampliando sua coleção. Em diversas viagens a outros países apurou seu acervo, buscando raridades como “discos piratas” de tiragens limitadíssimas. Ao morrer havia juntado cerca de 20 mil títulos, entre LPs e compactos, na maioria importados, que abrangem diversos gêneros musicais como rock, jazz, soul music, rock progressivo, musica francesa, trilhas sonoras de filmes, orquestrais, etc. Como um todo, a discoteca Big Boy constitui-se num acervo cultural importantíssimo, pois retrata vários períodos do cenário discográfico mundial e, mais do que uma coleção, trata-se da síntese do trabalho de um profissional que ousou inovar. Morreu sufocado por um ataque de asma, num quarto de hotel em São Paulo.