A CINQUENTONA MOTOWN – A SOUL MUSIC NA SUA MAIS PURA EXISTÊNCIA

Publicado: 30/03/2010 em allTV, Paulo Ragassi, PROGRAMA TAH LIGADO!, Uncategorized
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Muitas vezes a Motown é descrita como a editora que, nos anos 60, levava a música negra aos ouvidos da América branca… E de facto assim aconteceu. Nomes como as Supremes, Temptations ou Martha & The Vandellas somaram êxitos logo nos primeiros anos de vida da editora. Êxitos que rapidamente ultrapassaram o público negro, que antes já seguia de perto o rhythm’n’blues, e que conquistaram aos poucos os ouvidos da América branca, num processo que faria da música soul, tal como o jazz, um dos primeiros espaços a ultrapassar velhos hábitos de segregação. Uma aventura que começou, faz hoje 50 anos. Berry Gordy (n. 1929), na foto, o fundador da companhia, seu responsável e figura tutelar até 1988, costumava contar que, ao contrário de outras editoras, a Motown não tinha sido fundada. Nascera… E nasceu a 12 de Janeiro de 1959, em Detroit, quando o ex-jogador de boxe e antigo dono de uma loja de discos recebeu um empréstimo de 800 dólares. Gordy somava já uma história de vida recheada em acontecimentos quando desses 800 dólares fez nascer uma editora. Tinha trabalhado na fábrica da Ford, tinha assinado uma canção de sucesso para Jackie Wilson (o clássico Reet Petite) e até mesmo obtido o sucesso com o single Money (That’s What I Want). O dinheiro que quis chegou da família e, desafiado por Smokey Robinson, passou a prensar os seus próprios discos. Robinson respondeu ao desafio lançado ao amigo, “oferecendo” à editora, dois anos depois, o seu primeiro êxito com vendas superiores a um milhão de exemplares, com Shop Around. No primeiro ano de vida, a editora apresentava-se como Tamla Records. Mas, nascida na cidade dos automóveis (muitas vezes referida como “motor city”), a editora acabaria por ser rebaptizada como Tamla Motown pouco depois. Antes da chegada dos êxitos que transformariam as suas finanças, a Tamla Motown era uma pequena operação. Era o próprio Berry Gordy quem embalava e enviava os discos para as lojas. E era também ele quem os levava às estações de rádio. Com o tempo, a editora cresceu. Ao mesmo tempo ia definindo uma identidade que passava, em grande parte, por uma abordagem à emergente música soul através de características da canção pop. Nasce assim o “som Motown”, que rapidamente se apresenta como o “som da América jovem”. Cruza barreiras e chega aos ouvidos da América branca. E a marca torna-se incontornável no panorama musical global depois de, em 1964, conquistar o seu primeiro número um, com My Guy, de Mary Wells. Seguem-se êxitos com as Supremes, Temptations, Frank Wilson, Four Tops, Gladys Knight & The Pips. Martha Reeves & The Vandellas. E, já nos anos 70, com os Jackson 5, Marvin Gaye ou Stevie Wonder. Hoje diluída entre as etiquetas do grupo Universal, a Motown é uma marca com sabor a história. Dividiu com a “rival” Stax Records (de Memphis, no Tennessee) algumas das páginas de maior protagonismo na construção de um género que lhes deve a existência como o conhecemos: a música soul.

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