CULTURA E ARTE DÃO AUDIÊNCIA?

Publicado: 23/08/2010 em Paulo Ragassi, PROGRAMA TAH LIGADO!, Uncategorized
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Imagens do Programa Fábrica do Som - TV Cultura anos 80

Por que a arte e a cultura não dão audiência?   “O Brasil virou um país cuja elite é ignara. A nossa classe A econômica é a nossa classe Y cultural” escreveu Eugênio Bucci, crítico de televisão e secretário da Editora Abril ( Jornal do Brasil, 28/06/01) No seu artigo, em que faz uma severa crítica aos executivos da nossa televisão; denuncia a estreita visão cultural desses empresários da mídia mas suas amplas mas ignóbeis lógicas de mercado. Bucci responsabiliza-os pela baixaria que invadiu as telas domésticas numa guerra sem fim pela audiência. A competição em vez de diferenciar as emissoras, igualou-as pelo que elas têm de pior. Tudo isso, em nome do dinheiro imediato . E o mais grave é saber que a ampla audiência requerida por todos os canais privilegia o bizarro, o pornográfico. Segundo o crítico, “a baixaria impera não porque seja o único jeito de atrair o grande público, mas por ser o jeito mais barato”. E, ainda dizem que ela atrai somente as classes mais pobres, o que é mentira ! “Como a pornografia – diz ele – ela junta curiosos de todo tipo , sempre de passagem. Baixos instintos não têm classe social nem compromisso duradouro”, rebate furioso. É tão comum a gente ouvir um amigo ou outro comentando os detalhes de certas cenas picantes que viram na TV. Comprovam o niilismo segundo Nietzsche para quem o vazio era, sobretudo derivado do excesso de imagens que não deixava ver o que estava a acontecer realmente. Como é que outros comuns como eu agem no seu quotidiano e resolvem os seus dilemas relacionais e sentimentais? Os indivíduos espectadores satisfazem essas necessidades através da televisão porque a emissão televisiva passou a ser o principal manipulador e estruturador das identidades modernas. Na ganância pelo lucro imediato, a televisão está perdendo terreno e deixa de representar a identidade do brasileiro, como muito bem definiu o estudioso francês Dominique Wolton, na sua análise sobre a nossa TV ( em Elogio do Grande Público -ed. Ática) Os efeitos colaterais da vulgaridade destroem a credibilidade que tem a televisão brasileira no resto do mundo onde até há algum tempo , era apontada como um poderoso fator de identidade cultural e integração nacional . Famosa por suas telenovelas (produto de exportação para mais de 120 países) a televisão brasileira, capaz de produzir muito bem cuidadosas minisséries, mas a grande midia continua investindo no apelativo e no sensacionalismo. Por que é mais fácil? Tem retorno de audiência/publicidade garantidas? Formatos de programas como “Jovem, Urgente!”, TV Mix, Fábrica do Som, foram esquecidos; preferem formatos que tratam o jovem como um verdadeiro idiota! Será que o jovem vive numa propaganda de refrigerante, ou a realidade do jovem é o que foi retratada na novela “Os Adolescentes” do início da década de 80? Em que grande mídia o jovem pode debater, e falar sem censura de seus anseios, seus problemas? Qual grande mídia abre suas câmeras para Festivais Universitários? Qual grande mídia dá espaço para artistas sérios, sem que sejam bandas teens pré-fabricadas? Aqueles que estejam lendo este texto, que não façam o pré-julgamento de um saudosismo, mas que entendam que bons formatos de programas na TV devem ser estudados, e reeditados, que a arte e a cultura, colunas que devem ser sólidas em qualquer sociedade, tenham espaço na grande mídia, muito mais que o sensacionalismo barato que nos empurram pela goela.

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