HISTÓRIAS DE SUPERAÇÃO MARCAM A VIDA DOS VENCEDORES DO CONCURSO DE REDAÇÃO CAMÉLIA DA LIBERDADE EM SP

Publicado: 22/11/2010 em allTV, Paulo Ragassi, PROGRAMA TAH LIGADO!, Uncategorized
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Como muitos que sonham em terminar com as injustiças sociais, a vencedora do concurso de Redação Camélia da Liberdade 2010, descarrega suas emoções na escrita. Ana Carolina Gonçalves Elói, de 16 anos, que está no segundo ano do ensino médio, é filha única de um casal que trabalha na “roça” como ela mesma diz. Sua vida é levantar às 5 da manhã, viajar 9 km em perua do governo para chegar à Escola Estadual (E.E) Dr. Miguel Priante Calderaro, da pequena cidade, com 10,5 mil habitantes de Bernardino de Campos, região de Ourinhos.  “Muita aplicada”, diz seu professor de História e orientador no Camélia, Valdeci Benedito Fernandes. Ele, como os demais professores que orientaram seus alunos vencedores em 2010, não sabia da existência da Lei Federal 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que determina a inclusão do tema História e Cultura Afro-Brasileira no currículo da rede oficial de ensino básico e médio. A base do concurso será agora seu projeto de pesquisa do curso de Pedagogia na UNESP.  Ana Carolina ainda cuida da casa, faz o almoço e passa suas horas livres escrevendo seu primeiro livro, “O Diário de um soldado”, que já conta com 170 páginas. Seus escritores prediletos são Machado de Assis, Clarice Lispector e Paulo Coelho. “Vencer o concurso foi um grande presente, fiz aniversário em setembro e soube do resultado em outubro. A cidade está em festa. Meu nome está até na Praça em frente à prefeitura”, conta emocionada. A jovem, que sonha concluir as faculdades de Biologia e Jornalismo, emendou: “Eu, que não sabia da existência da Lei e nada sobre João Cândido, aprendi muito com o tema do concurso. O que quero em minha vida é quebrar preconceitos e lutar para acabar com as injustiças.”  Segundo colocado é de Fernandópolis – Romper barreiras, também faz parte da vida do segundo colocado,  Vítor Hugo Santana Duarte, de 16 anos. Ele está no 2º ano do ensino médio da E.E Líbero de Almeida Silvares. Vitor vive com a mãe, vendedora de doces, e um irmão de 19 anos, em Fernandópolis, região de São José do Rio Preto. Ele conta que já sentiu o preconceito na pele: “Mas sempre passei por cima. Infelizmente, ainda na nossa sociedade, o negro é apenas aceitável”, declara. Vitor Hugo tomou o gosto pela literatura na 4ª série do ensino fundamental ao ler O Pequeno Príncipe. Anteriormente, ele não gostava de ler, “eu demorava muito para ler e tinha dificuldades para escrever”. Hoje, como Ana Carolina, já está escrevendo sua própria obra. “Estou no segundo livro da série “Tailor Reing – O Mistério do Lago”, faltam alguns ajustes para publicação.”  O ano de 2010 para Vitor Hugo tem sido de vitórias. Ele foi o primeiro colocado do projeto Ser Autor, da Secretaria da Educação do Estado e tem sido motivo de orgulho para o pai que é pedreiro. Quanto ao Camélia da Liberdade, Vitor diz que se inspirou em Caio, vencedor do ano passado. “E como já conhecia um pouco do sofrimento dos negros me empenhei nas pesquisas sobre o tema. Estou feliz por tudo que aprendi e também pelo computador que receberei, porque ainda não tenho.” Limeira ficou com a terceira classificação – O sonho de cursar a Universidade de Educação Física, se formar professor, e saber se a mãe Lúcia Lourenço da Silva está viva e revê-la, faz parte do universo do 3º colocado, Guilherme Lourenço da Silva, de 18 anos, vencedor pela Fundação CASA, unidade Rio Tamias – Brás, na capital. Guilherme e seus dois irmãos menores moram com seus avós maternos, por quem foram criados: Ivonete Lourenço da Silva e Paulo Martins Alves. A mãe sumiu, há 14 anos depois do nascimento de seu irmão mais novo. Ele, que também não conhece o pai, trabalha de servente de pedreiro. Quanto ao Camélia da Liberdade, Guilherme conta que se sentia desmotivado a escrever, mas se identificou com a história de João Cândido e de sua luta contra a opressão. Incentivado pelo professor de Português, Hércules (qual o sobrenome não se recorda), e pelas orientadoras Ana Carolina Campos Beltrão Feitosa e Luana Morena Carollo Ferreira, terminou sua redação antes de deixar a unidade.  “Fiquei muito feliz pela redação de Guilherme ter sido escolhida. Ele é um jovem com muito potencial e fala diferenciada”, diz Ana Carolina. “O resultado demonstra o trabalho sério que realizamos em equipe na Fundação CASA”, destaca o diretor da unidade, Fernando Faria de Andrade.  Guilherme tem outro sonho: “trabalhar para minimizar o sofrimento das pessoas que estão abaixo da linha da pobreza e não têm o que comer”.  Fã das obras de Machado de Assis e de Lígia Fagundes Telles, Guilherme não vê a hora de ganhar seu computador e ensina: “Estudar e se capacitar é fundamental. Devemos valorizar o amor à nossa família e não entrar na onda dos outros.” Ana Carolina Gonçalves Elói, de 16 anos, aluna da Escola Estadual (E.E) Dr. Miguel Priante Calderaro, do município de Bernardino de Campos, região de Ourinhos, venceu a terceira edição do Concurso de Redação Camélia da Liberdade 2010 – João Cândido, 100 Anos da Revolta da Chibata, realizado pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap) http://www.portalceap.org.br e organizado em São Paulo pelo Instituto do Negro Padre Batista inpb.projetocamélia@bol.com.br Sua redação “O pássaro que ousou cantar a igualdade” foi escolhida pela Censgrario entre mais de 4,1 mil inscritas em todo o Estado de São Paulo e será publicada em livro, que traz as 27 melhores redações dos estados de São Paulo e 26 do Rio de Janeiro, a ser distribuído nas escolas. O segundo lugar ficou para o jovem Vítor Hugo Santana Duarte, de 16 anos, de Fernandópolis, região de São José do Rio Preto, da E.E Líbero de Almeida Silvares.  Guilherme Lourenço da Silva, de 18 anos, ficou com a terceira colocação. Ele, que mora em Limeira, região de Piracicaba, participou do concurso durante o período em que esteve na Fundação CASA, unidade Rio Tamisa – Brás, na capital.  A história de perseverança, de luta por igualdade de direitos do marinheiro líder da primeira revolta no Brasil, já República, retratada pelos jovens vencedores e um pouco sobre a história de vida e sonhos de cada um deles, está aqui. Ficha técnica do concurso – A edição 2010 de São Paulo do Concurso de Redação Camélia da Liberdade – João Cândido, 100 anos da Revolta da Chibata, contou com a participação de 84 municípios, 70 escolas públicas, 8 escolas particulares, 2 cursinhos populares, 67 unidades da Fundação CASA E 4.140 alunos. O que é o Ceap – O Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap) www.portalceap.org.br é uma entidade com 21 anos na luta contra qualquer tipo de intolerância, a qual promove além da valorização da cultura africana e de afrodescentes o debate com a sociedade sobre as desigualdades de 79 milhões de negros, que vivem no Brasil. “Mais do que alavancar novas políticas públicas para dirimir tais diferenças, é importante entender o passado e a rica história para disseminar o conhecimento”, explica o diretor-executivo do Ceap, Ivanir dos Santos. Parceiros – Realizado pelo CEAP, o Concurso de Redação Camélia da Liberdade 2010, teve como parceiro o Instituto do Negro Padre Batista (INPB), que é entidade civil de utilidade pública, sem fins lucrativos, fundado em 1987 pelo padre Benedito Batista de Jesus Laurindo. O INPB tem por objetivo a inclusão da população marginalizada, por meio de ações afirmativas focadas na Educação. Em uma de suas ações está a Marcha Noturna pela Democracia Racial realizada há 14 anos, na Capital. Patrocinado pela Petrobras, o concurso contou ainda com o apoio da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania de SP, Associação das Escolas Particulares (SIEESP), Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas SP – CENP, Conselho Comunidade Negra Francisco Morato, APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP, Secretaria de Educação do Estado de SP – CENP, vereador Ítalo Cardoso e partipação da Associação Nacional das Escolas Católicas (ANEC). Prêmio – Para a vencedora, um notebook e uma impressora multifuncional. Ao seu mestre orientador, Valdeci Benedito Fernandes, um notebook e à sua escola dez computadores. Para o segundo colocado, um microcomputador e uma impressora jato de tinta, ao terceiro, um microcomputador. Além do livro a ser lançado pelo Ceap na entrega do prêmio. Serviço: Entrega de prêmio aos vencedores da III Edição do Concurso de Redação Camélia da Liberdade 2010 – João Cândido, 100 anos da Revolta da Chibata– Lei 10.639/03. Quando: Sexta-feira, 26 de novembro, às 17h30. Onde: Câmara Municipal de São Paulo (www.camara.sp.gov.br) Viaduto Jacareí, 100 – Centro Show: Grupo Umoja. Mais informações: Instituto do Negro Padre Batista – Tel.: (11) 3106-7051/inpb.projetocamélia@bol.br

 

 

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comentários
  1. Daniele disse:

    Adorei q a Ana carolina tenha sido a ganhadora ela e uma garota esforçada como os garotos q tbm fez a redaçao sao estudei no calderaro e tenho mts sdds de la os professores sao ecelentes e sao capazes de fazer de td para q a gente tenha um futuro melhor…

  2. Daniele disse:

    Adorei q a Ana carolina tenha sido a ganhadora ela e uma garota esforçada e merecia como os garotos q tbm fez a redaçao sao estudei no calderaro e tenho mts sdds de la os professores sao ecelentes e sao capazes de fazer de td para q a gente tenha um futuro melhor…

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