Arquivo de outubro, 2011

Galera, uma excelente dica cultural pra vocês: Resgatando uma tradição do século 19, quando as pessoas se reuniam pra ler poesia, tocar instrumentos e conversar, a Ad Libitum promove pelo 11 ano consecutivo seu tradicional sarau em homenagem a Manuel Bandeira. Neste sarau serão apresentadas canções feitas a partir de poemas de Bandeira com a participação de Léo Bia, Mirianes Zabot, Ceciro Cordeiro, Walter Egéa e Raberuan, o público participa lendo poemas de Bandeira. A entrada é franca. Segunda, 31 de Outubro · 20:30 – 23:00. Localização: Cristallo Jardim Anália Franco Rua Emília Marengo, 652, Anália Franco

Considerada na década de 70 como a melhor banda de rock do Brasil, também era respeitada no cenário da MPB. Ganhou festivais como o de Juiz de Fora e Belo Horizonte. Classificou-se por duas vezes no Festival Internacional da Canção. Durante 15 anos fez de 150 a 200 shows por ano em grandes ginásios lotados pelo país afora. Também conseguiu o recorde de público (11.000 pessoas) no Luna Park em Buenos Aires, além de fazer shows no Miden em Cannes (França) e em outros lugares da Europa. Foram convidados especiais do festival de rock progressivo na UCLA em Los Angeles.  Hoje Flávio Venturini se dedica a sua carreira solo, Magrão ao 14 Bis e Sérgio Hinds, além de continuar lançando CDs de progressivo e fusion na Europa e no Japão com o Terço sob outra formação, produz discos e trilhas sonoras. Na história do grupo O Terço, que originou-se em 1968, estão três bandas da década de 60 – Joint Stock Co., Hot Dog e Os Libertos, por onde iniciaram o guitarrista Sérgio Hinds, o baixista César das Mercês e o baterista Vinícius Cantuária.  O grupo Os Libertos, então formado pelos três músicos citados acima, era uma atração que agitava as domingueiras do Rio de Janeiro. A banda ainda se chamaria Santíssima Trindade. Em 1970, César das Mercês foi substituído por Jorge Amiden. O grupo passou então a se chamar O Terço. O conjunto é originário do Rio de Janeiro, mas depois radicou-se em São Paulo.  Os vocais sempre foram privilegiados nas canções do grupo como por exemplo na música “Tributo ao Sorriso” que fez muito sucesso, inclusive entre o público não apreciador de rock.  Sobre o significado da palavra terço, é um “fracionário que corresponde a três” ou a “terça parte de alguma coisa”, inclusive a do Rosário, conjunto de contas utilizado na liturgia Católica para computar um determinado número de orações (quinze Pais-Nossos e quinze Ave-Marias). O nome O Terço caiu como uma luva pelo menos para essa primeira formação da banda, que era a de trio (guitarra-baixo-bateria). Sérgio Hinds, perguntado de onde foi tirado o nome do grupo disse: O Terço, como trio, é o símbolo do rosário representando união.  Antes do primeiro LP lançaram um compacto com a música Velhas Histórias, com a qual ganharam o festival de Juiz de Fora. Aquela era a época do Rock Rural e do Rock Progressivo, e O Terço seguiu estas sonoridades.  O Terço – Primeiro disco (1970) O primeiro LP, lançado em 1969, entitulado simplesmente O Terço, tratando-se pois de um disco homônimo, apresentou um rock tipo anos 50, 60, com leves tintas progressivas, que continha também músicas em inglês. Neste primeiro trabalho, o grupo ainda revoltou alguns católicos fanáticos, ao posarem de jeans, camisetas e descalços dentro de uma igreja para a foto da capa.  As faixas do disco são: Nã / Plaxe voador / Yes, I do / Longe sem direção / Flauta / I need you / Antes de você… eu / Imagem / Meia-noite / Saturday dream / Velhas histórias / Oh! Suzana.  Em outubro de 1970, O Terço participou do V FIC (Festival Internacional da Canção), com a música “Tributo ao Sorriso”, que foi classificada em terceiro lugar. Neste mesmo ano, o grupo trabalhou com o empresário Marinaldo Guimarães, um personagem típico da época, preocupado sempre em fazer o público pensar. O espetáculo “Aberto para Obras” pode ter representado o auge de suas proposições estéticas. Montado no Teatro de Arena do Largo da Carioca, o público entrava por estreitos corredores e se via separado dos palcos por cercas de arame farpado. Descobrindo finalmente como chegar a seus lugares, tinham que escolher entre olhar para baixo, onde estava o Módulo 1000, ou para cima, onde se encontrava O Terço. Abaixo havia também uma mulher preparando pipoca em um fogão e mais adiante, sentado em um vaso sanitário, o irmão de Jorge Amiden (d’O Terço) empunhando estático um violão por três horas seguidas, apenas para arrebentá-lo no final de tudo.  Entre o primeiro e o segundo discos o grupo lançou o compacto duplo O Visitante (Adormeceu/Doze Avisos/Meio Ouvinte/Teatro da área Extraída da Suíte.  A banda participou do Festival Internacional da Canção de 1971 com a música O Visitante, contando com Hinds (guitarra), Vinícius Cantuária (bateria), Amiden (guitarra) e Mercês (baixo) e ostentando estranhos instrumentos no palco, como uma guitarra de três braços – a tritarra – e um violoncelo elétrico.  O Terço – Segundo disco (1972) O segundo trabalho, também homônimo e lançado em 1972, traz uma sonoridade mais progressiva conta com a participação de Luiz Paulo Simas (ex-Módulo 1000 e futuro Vímana) tocando synth e órgão na suíte de 19 minutos Amanhecer Total, uma das primeiras canções nacionais a usar o mini moog. Outro destaque deste LP é a música Deus, composição de Hinds. A formação era Sérgio Hinds: guitarra, viola, vocal; Sérgio Magrão: baixo, vocal; Luiz Moreno: percussão, vocal; Flávio Venturini: piano, órgão, sintetizador, viola, vocais.  Além de Deus (1ª faixa) e Rock do Elvis (5ª faixa), as outras faixas são: Você aí / Estrada vazia / Lagoa das lontras / Amanhecer total, a 6ª e última faixa, possui os seguintes movimentos: a) Despertar pro sonho ; b) Sons flutuantes ; c) Respiração vegetal; d) Primeiras luzes no final da estrada; e) Cores  Jorge Amiden, o primeiro músico de que se tem notícia no mundo que apareceu tocando a tritarra, deixa O Terço para participar do grupo Karma. O Criaturas da Noite – Terceiro disco (1975) Em 1975, foi lançado o LP que consagrou definitivamente a banda, formada então por Hinds (guitarra, viola, vocal), Luiz Moreno (bateria, percussão) e do carioca Sérgio Magrão (baixo, vocal, outro ex-integrante do Joint Stock Co.) e do mineiro Flávio Venturini (piano, teclados, viola, vocal, que já havia participado das bandas Os Turbulentos, Haysteacks, Crisalis e do movimento mineiro -de MPB- Clube da Esquina): Criaturas da Noite, cuja faixa-título, síntese perfeita de MPB com Progressivo Sinfônico, virou hit nacional, vendendo centenas de milhares de cópias e presenteando o público brasileiro com uma das obras-primas do progressivo brasileiro, a clássica faixa 1974, que se tornou o hino do rock progressivo nacional. 1974 é composição de  Flávio Venturini, 12’21” de puro instrumental, ricamente arranjados e com diversos momentos melodicamente encantadores. Assim que entrou, Flávio logo havia mostrado suas composições e 4 foram imediatamente aprovadas para o disco Criaturas da Noite. Destas, 2 se transformaram em obras-primas do Progressivo, amadas e idolatradas até hoje: Criaturas da Noite e a inigualável 1974, magistral suíte instrumental. Outra música do mesmo álbum, Hey Amigo, também projetou definitivamente o nome do grupo. O Terço, ao lado dos Mutantes, era o grande nome do rock brasileiro, conseguindo soar como um conjunto de calibre internacional. Por onde passava arrastava multidões, lotando ginásios. O disco ainda teve uma versão em inglês que foi lançada em 1975 somente na Europa. 1974 foi coreografada em 1977 pelo argentino Oscar Araiz, para o Royal Balet do Canadá, e apresentada em turnê pelo Canadá e Estados Unidos. Outro destaque de Criaturas da Noite é a sua belíssima capa. O título da obra é A Compreensão, de autoria de Antonio e André Peticov.  O Terço participou do festival Banana Progressiva, que aconteceu em São Paulo, em 1975, no Teatro da Fundação Getúlio Vargas.  Flávio Venturini levou para o conjunto elementos do movimento mineiro Clube da Esquina. Além das sonoridades do rock progressivo e da MPB, o grupo ainda tinha elementos de hard rock e de hard progressivo.  O sucesso foi tanto que O Terço atingiu o status de cult entre os jovens da época, além de ter representado, para a juventude dos anos 70, o que a banda de heavy metal Sepultura simbolizou para os anos 90. Eles se tornaram os heróis do rock, convocando seus seguidores através do hino Hey Amigo, o maior hit de sua carreira. O refrão Hey amigo/cante a canção comigo/nesse rock/estamos perto de ser/a unidade final era gritado a plenos pulmões pelo público que assistia à banda no Teatro Bandeirantes, reduto da tribo roqueira em São Paulo. Os integrantes d’O Terço caprichavam ainda nos vocais em coro, considerados os mais harmoniosos da época. Casa Encantada  – Quarto disco (1976) O Terço seguiu estrada, e lançou, após o estrondoso sucesso de Criaturas da Noite, em 1976 (com a participação, na flauta e vocal, de Mercês), o disco Casa Encantada, que também conseguiu boas vendagens, sendo um trabalho que sempre caracterizou o som da banda: rock com elementos de MPB. Músicas como Guitarras, Flor de la Noche, Casa Encantada e Solaris mostraram a capacidade criativa dos músicos na época, tanto em melodia quanto em trabalhos mais elaborados. Destaque também para Cabala e O Vôo da Fênix. Junto com 1974, Casa Encantada é um clássico do rock progressivo.  Casa Encantada foi concebido num sítio onde a banda ensaiava na década de 70 e foi todo composto neste local, que chamavam de Casa Encantada. O sítio ficava no km 48 da BR-116.  Casa Encantada e Criaturas da Noite contaram, nas faixas em que há a participação de orquestra, com arranjos do maestro Rogério Duprat, com quem Venturini já havia estudado composição e arranjos. Casa Encantada e Criaturas da Noite foram relançados em CD pela gravadora italiana Vinyl Magic.  Ainda em 1976, O Terço participou do filme Ritmo Alucinante, dirigido por Marcelo França. O Terço também participou de importantes eventos como o Hollywood Rock e o Temporada de Verão, no teatro João Caetano, com os grupos Mutantes e Veludo, no Rio de Janeiro, além de ter aparecido no antigo programa musical Sábado Som, da TV Globo, apresentado por Nelson Motta, que foi quem organizou estes mesmos eventos.  O grupo ainda participou de um disco de Walter Franco, o qual também contou com as presenças de Sérgio Dias e Arnaldo Baptista (ambos dos Mutantes), entre outros. Importante também a participação de Hinds, Mercês, Venturini e Magrão no disco Nunca (1974), da dupla Sá & Guarabyra.  Os grandes ícones da banda, nessa época, eram o tecladista, violonista e vocalista Flávio Venturini e o guitarrista, violonista e vocalista Sérgio Hinds. Sérgio Hinds, junto com Sérgio Dias, dos Mutantes, e Mozart de Mello, do Terreno Baldio, foi um dos maiores guitarristas do rock progressivo nacional nos anos 70. Em 1998, ele disse que nunca tomou sopa de cogumelo, apesar da sua aparência de doidão, e que seu apelido no grupo era Capitão Saúde. Hinds é o único integrante que continua na banda desde a primeira formação. Após terem realizado os dois grandes clássicos mencionados acima, Criaturas da Noite e Casa Encantada, ocorre a saída de Flávio Venturini.  O Mudança de Tempo – Quinto disco (1978). Em 1978, O Terço lança o disco Mudança de Tempo, apresentando muita MPB e um bom trabalho de guitarra de Sérgio Hinds. Neste play aparece pela primeira vez o famoso e premiado logotipo de autoria do artista plástico Guernot.  Em Mudança de Tempo há a presença do baixista e tecladista Sérgio Caffa, que já havia passado pelos grupos Scaladácida, Cia. Paulista de Rock e Luís Carlos Sá & Banda. Existem duas versões para a capa deste trabalho: uma contém apenas o comentado novo logotipo sobre um fundo azul; a outra, é uma foto do grupo olhando por uma janela (imagem acima).  Depois de Mudança de Tempo, o baixista Sérgio Magrão deixa o grupo, para fundar, junto com Flávio Venturini, o 14 Bis.  Som mais puro, de 1982, é outro álbum que investe bastante na MPB, contando com Hinds, Ruriá Duprat (teclados), Zé Portugal (baixo) e Franklin Paolillo (ex-Made in Brazil, Joelho de Porco, Tutti Frutti e o Envergadura Moral de Marcelo Nova (bateria). Som mais puro também apresenta uma composição de Flávio Venturini, a longa faixa Suíte que é, como 1974, outra extraordinária obra instrumental. Som Mais Puro – Sexto disco (1982) Em 1990 o grupo lança o trabalho seguinte, o homônimo O Terço.  Em 1993 o Terço sob nova formação Hinds, Franklin Paolillo (bateria), Luiz de Boni (ex-May East, Tom Zé, Zero e Paulo Ricardo (aquele do RPM) (teclados) e Andrei Ivanovic (ex-Metrô, Vultos, Edgard Scandurra (aquele do Ira!) (baixo), lançou o comentado CD Time Travellers, CD de progressivo sinfônico, que também lançado na Europa e no Japão. Time Travellers – Oitavo disco (1992) Time Travellers possui nove faixas, das quais três são instrumentais – Space, Crucis e Marear. As outras seis, para atender o público estrangeiro, são em inglês. A faixa Crucis é uma homenagem ao homônimo grupo argentino, um dos melhores progressivos daquele país. Nos anos 70, Crucis e O Terço tocaram juntos na Argentina, no Luna Park, em Buenos Aires, e no Brasil, no Parque Anhembi, em São Paulo. A faixa de destaque ficou por conta de The Rhythm of the Universe, cheia dos vocais que são a grande distinção d’O Terço.  Ainda em 1993, a banda abriu os shows do Marillion no Brasil e posteriormente do Asia, com músicas deste CD.

 

Nascido na Bahia, na cidade de Juazeiro, Situada no norte do Estado, João ganhou um violão aos 14 anos de idade, e, desde então, jamais o largou. Na década de 1940, adorava escutar de Duke Ellington e Tommy Dorsey até Dorival Caymmi e Dalva de Oliveira. Aos 18 anos decide se mudar para Salvador com intenção de ser cantor de rádio e crooner. Em seguida, foi para o Rio de Janeiro, em 1950, e teve algum sucesso cantando no grupo Garotos da Lua. Entretanto, foi posto para fora da banda por indisciplina, passando alguns anos numa existência marginal, ainda que obcecado com a ideia de criar uma nova forma de expressar-se com o violão. Seu esforço finalmente foi recompensado e, após conhecer Tom Jobim – pianista acostumado à música clássica e também compositor, influenciado pela música norte-americana da época (principalmente o jazz) – e um grupo de estudantes universitários de classe média, também músicos, lançaram o movimento que ficou conhecido por bossa nova. O ritmo da bossa nova é uma mistura do ritmo sincopado da percussão do samba numa forma simplificada e ao mesmo tempo sofisticada, que pode ser tocada num violão (sem acompanhamento adicional), cuja técnica foi inventada por João Gilberto. Quanto à técnica vocal (parte integral do conceito de bossa nova), é uma técnica de cantar em tom de voz uniforme, com voz emitida sem vibrato, e com um fraseado disposto de forma única e não-convencional (ora antecipando, ora depois da base rítmica), e de forma a eliminar quase todo o ruído da respiração e outras imperfeições. Apesar da fama com a então recém-criada bossa nova, sua primeira gravação lançada comercialmente foi uma participação como violonista no disco de Elizeth Cardoso de 1958 intitulado Canção do Amor Demais, composto por canções de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Pouco depois desta gravação, João Gilberto gravou seu primeiro disco, Chega de Saudade. A faixa-título, composta por Tom e Vinicius e que também aparecia no álbum de Elizeth Cardoso, foi sucesso no Brasil, lançando a carreira de João Gilberto e, por consequência, todo o movimento da bossa nova. Além de Chega de Saudade no lado “A”, o disco trazia no outro lado a canção Desafinado, de Tom e Newton Mendonça. Este disco foi seguido de outros dois, em 1960 e 1961, nos quais ele apresentou músicas novas de uma nova geração de cantores e compositores, como Carlos Lyra e Roberto Menescal. Por volta de 1962, a bossa nova tinha sido adotada por músicos de jazz norte-americanos, tais como Herbie Mann, Charlie Byrd e Stan Getz. A convite de Getz, João Gilberto e Tom Jobim fizeram aquele que se tornou um dos melhores álbuns de jazz de todos os tempos, Getz/Gilberto. Com este álbum, Astrud Gilberto esposa de João Gilberto na época, se tornou uma estrela internacional, e a composição de Jobim “Garota de Ipanema” (em sua versão em inglês, “The Girl from Ipanema”) se tornou um sucesso mundial, e modelo pop para todas as idades. João Gilberto continuou a fazer espetáculos na década de 1960, porém não lançou outros trabalhos até 1968, quando gravou Ela é Carioca, durante o tempo em que residiu no México. O disco João Gilberto, algumas vezes chamado de “o álbum branco” da bossa nova (em alusão ao álbum branco dos Beatles) foi lançado em 1973, e apresenta uma sensibilidade musical quase mística, sua primeira mudança de estilo perceptível após uma década. O ano de 1976 viu o lançamento do disco The Best of Two Worlds, com a participação de Stan Getz e da cantora Miúcha, que se tornara a segunda esposa de João Gilberto em abril de 1965, com quem tem uma filha, a cantora Bebel Gilberto. Amoroso, de 1977, teve os arranjos de Claus Ogerman, que buscou uma sonoridade similar à de Tom Jobim. O repertório era composto de velhos sambas e alguns padrões musicais norte-americanos da década de 1940. Nos anos 80 no Brasil, João Gilberto colaborou com Gilberto Gil, Caetano Veloso e Maria Bethânia (criadores, em fins da década de 1960, do movimento conhecido como Tropicália). Em 1991 lançou o disco João, que não tinha nenhuma composição de Tom Jobim. Ao invés disso, teve trabalhos de Caetano, Cole Porter e de compositores de língua espanhola. João Voz E Violão, lançado em 2000, assinalou um retorno aos clássicos da bossa nova, como “Chega de Saudade” e “Desafinado”. O CD, uma homenagem à música de sua juventude, foi produzido por Caetano Veloso. Intercaladas com estas gravações em estúdio, surgiram também gravações ao vivo, como Live in Montreux, Prado Pereira de Oliveira ou Live at Umbria Jazz. A última de raras turnês de João aconteceu em 2008 no Brasil, em duas apresentações no Auditório Ibirapuera em São Paulo e tiverem todos os ingressos vendidos em aproximadamente uma hora, no Rio de Janeiro, para uma apresentação no Teatro Municipal, o mesmo aconteceu. Além disto, o artista pediu para encerrar a turnê no Teatro Castro Alves, em Salvador, capital da sua Bahia, lá o sucesso foi repetido, e o João convidou o público a cantar com ele. Nos concertos de São Paulo as grandes surpresas foram a execução de canções não antes registradas por João, como 13 de Ouro, Dor de Cotovelo, Hino Ao Sol / O Mar, Chove Lá Fora, Dobrado de Amor a São Paulo, e uma música inédita de sua própria autoria, em homenagem ao Japão. De personalidade perfeccionista, em seus shows não tolera celular, cochichos na platéia, ar-condicionado barulhento ou caixas de som desreguladas. Faz raríssimas apresentações e já abandonou algumas delas por falta de silêncio. É considerado um gênio, lenda viva da música popular brasileira. Seus shows quando anunciados tem os ingressos esgotados nas primeiras horas de venda. Em 2009, uma fita com gravações de 1958 de Gilberto vazou na web. Considerado material raríssimo foi recebido com entusiasmo por fãs. Em sua versão em CD, o álbum João, de 1991, trouxe duas faixas-bônus: Sorriu pra mim e Que reste-t-il de nos amours. Isso também aconteceu com o relançamento de Prado Pereira de Oliveira, que incluiu as canções Aquarela do Brasil, Bahia com H, Tim tim por tim tim e Estate, que não entraram no LP original por problemas de espaço. Em janeiro de 2011, foi ajuizada ação de despejo em face de João Gilberto, objetivando que o músico deixe o seu apartamento, no Leblon, em que vive há mais de quinze anos. O imóvel pertence a Georgina Brandolini d’Adda, que se queixa do comportamento excêntrico do músico. Segundo o advogado Paulo Roberto Moreira Mendes, Georgina d´Adda se submeteu a todos os caprichos de João Gilberto, que ao contrário, sempre agiu com arrogância, não tendo o pedido nenhuma relação com falta de pagamento.

Discografia

Quando Você Recordar/Amar É Bom – 78 rpm single (Todamerica, 1951)
Anjo Cruel/Sem Ela – 78 rpm single (Todamerica, 1951)
Quando Ela Sai/Meia Luz – 78 rpm single (Copacabana, 1952)
Chega de Saudade/Bim Bom – 78 rpm single (Odeon, 1958)
Desafinado/Hô-bá-lá-lá – 78 rpm single (Odeon, 1958)
Chega de Saudade (Odeon, 1959)
O Amor, o Sorriso e a Flor (Odeon, 1960)
João Gilberto (Odeon, 1961)
Brazil’s Brilliant João Gilberto (Capitol, 1961)
João Gilberto Cantando as Músicas do Filme Orfeu do Carnaval (Odeon, 1962)
Boss of the Bossa Nova (Atlantic, 1962)
Bossa Nova at Carnegie Hall (Audo Fidelity, 1962)
The Warm World of João Gilberto (Atlantic, 1963)
Getz/Gilberto (Verve, 1963)
Herbie Mann & João Gilberto (Atlantic, 1965)
Getz/Gilberto vol. 2 (Verve, 1966)
João Gilberto en México (Orfeon, 1970)
João Gilberto (Philips, 1970)
João Gilberto (Polydor, 1973)
The Best of Two Worlds (CBS, 1976)
Amoroso (Warner/WEA, 1977)
Gilberto and Jobim (Capitol, 1977)
João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (WEA, 1980)
Brasil (WEA, 1981)
Interpreta Tom Jobim (EMI/Odeon, 1985)
Meditação (EMI, 1985)
Live at the 19th Montreux Jazz Festival (WEA, 1986)
João Gilberto Live in Montreux (Elektra, 1987)
O Mito (EMI, 1988)
The Legendary João Gilberto (World Pacific, 1990)
João (PolyGram, 1991)
João (Polydor, 1991)
Eu Sei que Vou Te Amar (Epic/Sony, 1994)
João Voz e Violão (Universal/Mercury, 2000)
Live At Umbria Jazz (EGEA, 2002)
João Gilberto in Tokyo (Universal, 2004)

Iniciou sua carreira de cantor apresentando-se em um programa infantil da rádio Difusora de São Paulo, cantando, quando era muito menino. Foi ator mirim no filme Quase no céu. Começou seus estudos de música no Conservatório Musical Carlos Gomes, se formando em piano no ano de 1950. Estudou canto e harmonia, sendo orientado pelos maestros Luís Arruda Paes, Renato de Oliveira e Rafael Pugliese. Com a versão do calipso Matilda de Harry Belafonte, fez sucesso no final dos anos 1950. Trabalhou na TV Excelsior – canal 9, de São Paulo. Em 1965, foi para o Rio de Janeiro, indo para a TV Tupi – Canal 6 e a TV Rio – canal 13. Foi diretor musical da TV Rio, sendo um dos responsáveis e autor do Hino do Fic, música de abertura do Festival Internacional da Canção, em 1966. Em 1968 acompanhou a cantora Elis Regina, que iria se apresentar para o exigente público do Olympia, de Paris. Em 1970, durante o V Fic, transmitido pela TV Globo, regeu um coral de quarenta vozes, que mais tarde passou a chamar-se Banda Veneno, que acompanhou Jorge Ben ou Jorge Ben Jor. Cantou a canção Eu também quero mocotó, que estava fazendo sucesso; e foi acusado de assédio moral após uma cena em que é beijado por diversas loiras em apresentação na etapa internacional. Foi acusado pela ditadura militar brasileira. Neste festival estava presente o presidente da república, general Emílio Garrastazu Médici. A imagem do povo brasileiro feliz seria veiculada para o mundo, em cores para a Europa e Estados Unidos da América. A ditadura militar brasileira não deixa dúvida, queria manter música e o espetáculo deste festival em prol da imagem que deveria ser painel para o mundo. O Erlon Chaves faleceu de infarto fulminante quando discutia (dizem que defendia) com um grupo de forma emocionada a polêmica em torno dos acontecimentos com o Wilson Simonal, aos 40 anos.

Discografia

1959 – Em tempo de Samba – Erlon Chaves e sua orquestra

1965 – Sabadabada

1965 – Alaíde Costa – participação como arranjador

1971 – Banda Veneno

1972 – 1974 – Banda Veneno Internacional

Coletânea

1999 – Millennium: Erlon Chaves – Universal Music – reedição de suas gravações.

Temas de telenovelas

1966 – O Sheik de Agadir, da TV Globo, autor da música tema.

1966 – Eu Compro esta Mulher – música tema.

1970 – Pigmaleão 70 da TV Globo. Na trilha sonora da novela consta a participação de Erlon Chaves e orquestra, nas músicas Tema de Cristina, Tema de Nando e Candinha e Povos, todas de autoria do maestro.

Tema de filme

1973 – filme brasileiro Aladim e a lâmpada maravilhosa com Renato Aragão e Dedé Santana.

Destaque

1973 – As dez canções medalha de ouro – Erlon Chaves e Paul Mauriat

Gravação feita só com músicas brasileiras, escolhidas pelo público no programa do apresentador Flavio Cavalcanti. As músicas escolhidas foram Casa no campo (Tavito/Zé Rodrix), Amada amante (Erasmo Carlos/Roberto Carlos), Preseda (Jocafi/Antônio Carlos), Naquela mesa (Sérgio Bittencourt), Viagem (João de Aquino/Paulo César Pinheiro), Dona Chica – (Francisca Santos das Flores/Dorival Caymmi), Águas de março (Tom Jobim), Como 2 e 2 (Caetano Veloso), Construção (Chico Buarque) e Testamento (Toquinho/Vinícius de Moraes).

Nascido no Rio de Janeiro no dia 23 de agosto de 1934, Souza trabalhou como sideman nos anos setenta para Sérgio Mendes, Flora Purim, Airto Moreira e Milton Nascimento. O trombonista também trabalhou com jazzistas nos álbuns de Sonny Rollins e Cal Tjader. Assinou com o Capitol em 1976, onde gravou seu primeiro álbum, “Sweet Lucy”, que foi lançado no ano seguinte. Tanto “Sweet Lucy” quanto “Don’t Ask My Neighbors”, seu segundo álbum na Capitol, foram produzidos por George Duke. Mas a troca de produtores, mudando de Duke para Arthur Wright, na gravação de “‘Til Tomorrow Comes” fez com que Raul se encaminhasse para a onda da discoteca. Deixando de lado o jazz, “‘Til Tomorrow Comes”, seu último álbum para a Capitol, acabou enfraquecendo seu espaço na produção musical e o relegou a um certo esquecimento nos anos oitenta.  Durante os anos 80 e 90, viveu entre Rio e São Paulo, fazendo shows esporádicos, gravando discos (“A Arte do Espetáculo”, “The Other Side of The Moon”) muito aquém de seu talento, e participando de sessões com Gilberto Gil, Toninho Horta, Maria Bethânia, Lisa Ono, Salena Jones, Nelson Angelo, Taiguara, João Donato, Eloir de Moraes, e no último disco de Jobim, o Grammyado “Antonio Brasileiro”. Por sorte, antigas gravações até então inéditas com Airto & Flora (“Colours of Life”, “Aqui Se Puede”, “Samba de Flora”) e Georgie Fame (“The In-Crowd”) foram finalmente editadas, impedindo que seu nome caisse em total esquecimento no exterior. Em 1998, às vésperas de mudar-se para Paris, lançou ótimo CD em dupla com o trombonista Conrad Herwig, “Rio”, nos moldes da parceria entre J.J. Johnson & Kai Winding. Porém, jamais igualando os espetaculares álbuns de estréia no Brasil (“À Vontade Mesmo”) e EUA (“Colors”), ainda hoje as obras-primas de sua discografia. Atualmente, depois de viver, tocar e gravar nos EUA por muito anos, Raul de Souza está de volta ao Rio de Janeiro. Ele está dedicando seu tempo à composição, tocando pelo Brasil afora e gravando com talentos como Gal Costa, Leny Andrade e astros internacionais como Lisa Ono, Selena Jones e Joyce Collins.

DISCOGRAFIA

1965 À Vontade Mesmo RCA
1968   International Hot What Music
1974   Colours OJC
1977   Sweet Lucy Capitol
1978   Don’t Ask My Neighours Capitol
1979   ‘Til Tomorrow Comes Capitol
1986   Viva Volta Top Tape
1992   A Arte do Espetáculo (ao vivo) RGE
1996   20 Preferidas RGE
1998   Rio Eldorado
2000   No Palco Inter Records
2005   Elixir Blue Touch