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Itamar Assumpção e a banda Isca de Polícia, Premê, Grupo Rumo,  Paulo Barnabé, Luiz Tatit, Ná Ozetti, Fernando Meirelles, Marcelo  Tas, Passoca, Roger Moreira, Eduardo Gudin, Wandi Doratiotto,  Cida Moreira, Lanny Gordin, Nelson Ayres, Amilson Godoy, Kid  Vinil, Vânia Bastos, Tetê Espíndola, Alzira Espíndola, Alice Ruiz, Bia  Aydar, Elias Andreatto, Paulo Le Petit, Hélio Ziskind…

Sete anos de intensa atividade artística e intelectual passadas a limpo  ao longo de 97 minutos do documentário musical Lira Paulistana e  a Vanguarda Paulista. A tarefa parece difícil, mas o diretor Riba de  Castro – um dos sócios do Lira, pequeno espaço cultural que agitou  a vida da cidade de São Paulo entre os anos de 1979 e 1986 – amarra  bem as diversas e divertidas histórias contadas com prazer e brilho  nos olhos pelas personalidades (e que turma!) elencadas acima. Ter uma grata lembrança sobre o Lira parece um ponto em comum  a todos os entrevistados. Afinal, foi lá que muitos desses artistas  deram os primeiros passos de suas carreiras. Tempos duros, de muito  trabalho, mas também de grandes descobertas e muita criatividade. E eles descobriram tudo junto, no palco do pequeno porão, no bairro  de Pinheiros, em São Paulo, transformado para abrigar o Teatro Lira Paulistana.

“Era uma catacumba. Lá aconteciam coisas que não aconteciam na superfície”, diz Luiz Tatit, o mentor do Grupo Rumo, sobre a liberdade de criação que habitava o porão do Lira. Todos eram bem recebidos. Os artistas independentes, que não tocavam nas rádios e na televisão, que não faziam música comercial. Os ‘marginais’, como chegaram a ser chamados à época. E o Grupo Rumo é um dos grandes exemplos dessa vontade de  criar e de se expressar que chegava no momento em que o regime  militar brasileiro dava claros sinais de cansaço. A Vanguarda

Paulista, capítulo importante do filme, mostra que além do Rumo,  Língua de Trapo, Premeditando o Breque (Premê), Tetê Espíndola  e Itamar Assumpção encontraram no Lira o ambiente ideal para a sua inventiva música. Menos Arrigo Barnabé, que nunca chegou a  se apresentar por lá por um simples motivo: a Banda Veneno, que o  acompanhava nos shows, não cabia no pequeno palco, como explica o documentário.

O diretor Riba de Castro, que durante todos esses anos guardou o acervo do teatro, faz questão de apresentar todas as outras crias do Lira: a gravadora – que lançou o primeiro disco de Itamar Assumpção, o clássico Beleléu, leléu, eu; a gráfica, que colocou no mercado o primeiro livro do cartunista Glauco, além de botar na rua o Jornal Lira Paulistana, que antecipou o que hoje se conhece como os guias de cultura publicados por diversos jornais e revistas.

E engana-se quem pensa que a turma do Lira ficou restrita a São Paulo. O documentário mostra que, em seus últimos anos de existência, o espaço antecipou o que iria dominar as estações de rádio do país na primeira metade de década de 80: o rock nacional.

Foi lá no porão que, ironicamente, as gravadoras foram buscar bandas como Titãs – os então garotos Arnaldo Antunes, Paulo Miklos e Nando Reis aparecem em imagens de arquivo teorizando sobre o que é o sucesso – Ultraje a Rigor e Inocentes.

O documentário Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista, do diretor Riba de Castro, nos convida a vasculhar sebos, lojas de CD, registros publicados no YouTube para relembrar ou conhecer a turma que agitou a vida cultural de São Paulo nos anos 80. Salve o Lira!

A HISTÓRIA DO LIRA PAULISTA

“A felicidade do homem é uma felicidade guerreira. Viva a Rapaziada! O gênio é uma grande besteira.” (Oswald de Andrade)

A frase do escritor paulistano Oswald de Andrade, o irreverente príncipe do modernismo brasileiro, pode muito bem explicar o que norteou o surgimento e os sete anos de existência do Lira Paulistana.Em 1979, Waldir Galeano, um ex-administrador de empresas, e Wilson Souto Jr, o Gordo, um ex-estudante de engenharia e músico, idealizaram uma pequena sala de espetáculos que fosse viável para a apresentação de novos trabalhos. Com pouco dinheiro disponível, alugaram um porão de uma loja de ferragens localizado na rua Teodoro Sampaio, número 1091. Reformaram o local e criaram ali o Teatro Lira Paulistana.

“É fogo Paulista!”, espetáculo teatral musical de criação coletiva, dirigido por Mário Mazetti, foi a peça que inaugurou o Lira. Durante três meses, o espetáculo ficou em cartaz, sempre de quarta a domingo. Aos poucos, as segundas e terças-feiras ociosas do novo espaço começaram a ser ocupadas por grupos musicais que não tinham possibilidade de se apresentar nas salas convencionais existentes na cidade. Como o Lira era um teatro pequeno, barato e com uma boa infraestrutura, ele se tornou um espaço ideal para quem queria dar os primeiros passos na carreira musical. Foi assim que o Lira virou um ponto de encontro dos músicos e da nova música paulistana.

Mesmo assumindo sua vocação musical, o Teatro do Lira sempre foi múltiplo, abrigando em suas arquibancadas e na pequena semi-arena do acanhado porão as mais diversas manifestações e tendências. O Lira foi teatro, cinema, sala de exposições e palco de debates. O Lira abrigou a tudo e a todos. Tentou ser a coletânea paulistana contemporânea de qual falava o poeta paulistano Mário de Andrade no seu livro Lira Paulistana. De centro, o pequeno espaço na rua Teodoro Sampaio passou a ser o epicentro, o irradiador de cultura. A divisão musical foi reforçada com a criação de uma gravadora própria.

O primeiro disco do selo Lira Paulistana, que tinha uma parceria com a gravadora Continental, foi lançado em 1980, Beleléu, leléu, eu, do músico e compositor Itamar Assumpção. A iniciativa fez com que outros dois integrantes chegassem para reforçar a equipe do Lira: o quase filósofo Francisco Caldeira – o Chico Pardal – e um engenheiro, Plínio Chaves.

Logo em seguida, chegaram Riba de Castro, artista gráfico e produtor cultural, e o jornalista Fernando Alexandre, com projetos e ideias de um jornal que mostrasse o tamanho da diversidade cultural paulistana. Dessa maneira, estava formado o núcleo central do Lira: Gordo, Chico Pardal, Plínio Chaves, Riba de Castro e Fernando Alexandre. Mas o Lira não ficou apenas no pequeno porão. Primeiro, para abrigar a redação do jornal recém-criado, uma casa na praça Benedito Calixto recebeu uma pequena máquina impressora. Foi nessa casa também que os discos e livros que o grupo produzia eram vendidos. O local abrigou ainda um grupo de teatro do próprio Lira.

 

O Jornal Lira Paulistana foi para as ruas e junto com ele a música que era mostrada no porão da Teodoro Sampaio. Foi aí que o espaço ficou pequeno. A música do Lira invadiu praças e ruas. Festa na Praça, Música na Paulista, Música na USP, Reveillon no Bexiga, Instrumental na Praça, Verão MPB I e II, em Santos e Praia Grande. O Lira começava a sair de São Paulo.Com o sucesso dos shows e dos artistas que passavam pelo Lira, e por lá passaram nomes como Itamar Assumpção, Grupo Rumo, Premê, Paulo Caruso, Tetê Espíndola, Cida Moreira, Ultraje a Rigor, Titãs, Cólera, Grupo Pau Brasil, Ratos de Porão, Jorge Mautner, Carlos Nóbrega, Tom Zé e Jards Macalé, Aracy de Almeida, entre outros, a gravadora se associou à Continental em busca de uma estrutura para uma melhor produção e distribuição dos discos.

Os tempos mudaram e o Lira passou a concorrer com novos espaços culturais que começaram a surgir pela cidade. O acordo com a gravadora Continental não rendeu o que era esperado e os grupos ligados ao Lira começam a buscar novos caminhos. O núcleo central do Lira começou, então, a se diluir. Wilson Souto Jr assumiu a direção artística da Continental e passou a se dedicar menos ao Lira. Em seguida, Fernando Alexandre saiu do grupo e foi trabalhar na Fundação Cultural de Curitiba. Logo depois, Plínio e Riba de Castro se afastaram. Chico também foi trabalhar na Continental.

O famoso teatro da Teodoro Sampaio resistiu por algum tempo ainda, passando a ser administrado por membros remanescentes, entre eles o Wilson Justino e o Eduardo Schiavone Cardoso, que trabalhava no Lira praticamente desde o seu começo. Em setembro de 1986, o Teatro Lira Paulistana fechou definitivamente as suas portas.

A VANGUARDA PAULISTA

Ser um artista independente. Atualmente, essa condição tem um ar cult. Também é uma alternativa quase vital na carreira de muitos artistas, já que, com o declínio das gravadoras e a pirataria prejudicando seus faturamentos, as companhias só investem no que gera lucro rápido e garantido. Mas houve um tempo em que ser um artista independente significava muito mais do que tentar se inserir no mercado. Significava ter liberdade de criar, de ser marginal dentro de um esquema pré-estabelecido, de ir contra o mercado. No início dos anos 80, uma turma de jovens artistas – em sua maioria estudantes de comunicação – conseguiu se estabelecer dessa maneira: à margem, sem concessões, fazendo aquilo que acreditava.

A chamada Vanguarda Paulista, que teve Arrigo Barnabé como seu maior expoente, trouxe também ao cenário musical nomes como Itamar Assumpção, Grupo Rumo, Premeditando o Breque (Premê) e Língua de Trapo.

Totalmente distante do que as rádios tocavam e as gravadoras apostavam como produto comercial – a MPB tradicional reinava, com a consolidação das carreiras de grandes artistas como Elis Regina, Maria Bethânia, Gal Costa, Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Clara Nunes, Ney Matogrosso, Simone, entre outros –, a música produzida por esses artistas encontrara na estrutura oferecida pelo Lira Paulistana o ambiente ideal para suas manifestações artísticas.

A produção dessa turma era tão plural que, mesmo todos recebendo o carimbo de Vanguarda, não é possível estabelecer uma unidade entre a música que faziam. Não era um movimento orquestrado. Era uma movimentação. E mais: era uma vanguarda que matinha uma capacidade de comunicação com o público. A música do paranaense Arrigo, por exemplo, fazia releitura de peças clássicas e ficou marcada por seus arranjos dodecafônicos e atonais. Um trabalho bastante experimental. O disco independente Clara Crocodilo, gravado com a Banda Veneno, se tornou um clássico da música popular brasileira.

Já Itamar Assumpção fazia uma mistura de samba, rock, funk e reggae. O músico lançou seu primeiro LP em 1980. Beleléu, leléu, eu – gravado com acompanhamento da banda Isca de Polícia – foi também o primeiro disco lançado pelo selo Lira Paulistana, criado para abrigar artistas e bandas que não se encaixavam – ou não se rendiam – ao esquema das gravadoras.

O Grupo Rumo, que tinha em sua formação Luiz e Paulo Tatit, Ná Ozetti, Gal Oppido, Hélio Ziskind, Akira Ueno, Ciça Tuccori, Pedro Mourão, Zecarlos Ribeiro e Geraldo Leite, trabalhava bem as melodias vocais e trazia canções quase faladas, com grande influência da música popular brasileira. Liderado por Wandi Doratiotto, o Premeditando o Breque (Premê) emplacou o maior sucesso da turma da Vanguarda. São Paulo, São Paulo, uma versão bem humorada da famosa New York, New York, virou uma marca registrada do grupo que tinha claras influências da música regional e do samba.

Por fim, o irreverente Língua de Trapo abusava do escracho em suas letras em um som que misturava pop e rock. A canção O que é isso, companheiro, lançada no primeiro LP da banda, em 1982, satirizava Fernando Gabeira, recém-chegado do exílio político, além de mostrar que uma produção independente, com personalidade artística, era possível, a turma da Vanguarda Paulista influenciou artistas surgidos nos anos 80 para cá, como, por exemplo, Zélia Duncan, Cássia Eller, Marisa Monte, Los Hermanos e Tulipa Ruiz.

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A Banda Isca de Polícia é a convidada desta sexta-feira no PROGRAMA TAH LIGADO, às 16hs. pela www.alltv.com.br para celebrar o fim do ano. Formada por Marco da Costa (bateria), Luiz Chagas (guitarra), Paulo Lepetit (baixo), Suzana Salles (voz) e Vange Milliet (voz), a banda apresenta músicas de diversos trabalhos de Itamar Assumpção, incluindo alguns inéditos, além de um bate-pao super descontraído.

Assista ao video Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia = 1983 Sala Funarte em SP:

 

Criada em 1979 por Itamar para acompanhá-lo nas gravações e shows, a Isca de Polícia tem em seu trajeto diversos outros trabalhos com artistas como Ney Matogrosso, além de importantes participações em projetos musicais no Brasil e exterior. O grupo acaba de gravar um CD com composições inéditas de Itamar Assumpção – parte do projeto “Caixa Preta”, lançado pelo selo SESC em 2010.

Maria Cristina Ozzetti nasceu em São Paulo, em 12 de dezembro de 1958. Ná chegou de mansinho, junto com o grupo RUMO, direto para a MPB. A cantora tímida do começo dos anos 80 é uma das vozes mais consagradas da nova geração. Com presença de palco e tons impecáveis, Ná caminha com desenvoltura pelos clássicos da MPB até o rock de Rita Lee, ou a dissonância e genialidade de Itamar Assumpção.

Assista o video de Ná Ozzetti interpretando “Milágrimas”:
http://youtu.be/61WEQUjiXas

Com o disco “Ná”, de 1994 levou três prêmios Sharp – reconhecimento merecido de uma carreira e dedicação únicas. Em 2000, foi escolhida como a melhor intérprete, no Festival da Música Brasileira, da Rede Globo. Ela recria cada uma das músicas que interpreta – e traz no fundo de sua voz, a doçura da fala do Rumo – sua melodia é a prova definitiva que existe alguma coisa na vida que precisamos procurar, uma voz no fundo da alma, sons, cores e alegria.

Alzira Maria Miranda Espíndola cantora, compositora e instrumentista sul-mato-grossense. Iniciou sua carreira musical em 1977, com a gravação e lançamento do LP “Tetê e o Lírio Selvagem” (Polygram), grupo do qual faziaa parte com seus irmãos Tetê, Geraldo e Celito. Em 1980, após a dissolução do Lírio, estréia no show “Vozes e Violas”, com Almir Sater, Passoca, grupo Bendegó, em São Paulo. Em 1986, inicia sua carreira solo, grava o primeiro LP “Alzira Espíndola”, produzido por Almir Sater e lançado pela gravadora 3M. Alzira neste disco reúne vários compositores da região Centro Oeste, uma música inédita de Renato Teixeira “Homem não chora” e algumas canções autorais, sendo “Vejo a Vida” em parceria com Arrigo Barnabé. Em 1990, com Itamar Assumpção e Banda, excursiona pela Alemanha, Áustria e Suíça. Desta convivência com Itamar Assumpção, iniciada após a gravação da faixa “Adeus Pantanal” no LP “Intercontinental! Quem diria! Era só o que faltava!!”, além de inúmeras parcerias, resultou seu segundo LP “AMME” (iniciais do seu nome completo) pelo selo Baratos Afins, trabalho com o qual foi indicada para o Prêmio Sharp 1992, como melhor cantora pop. No disco além de suas parcerias com Itamar, grava uma parceria de Itamar e Alice Ruiz “Sei dos Caminhos”.

Assista ao video de Alzira Espindola com Itamar Assumpção da música “Tristeza Não” no Programa Empório Brasil de 1989:

Em 1995 relança “AMME” em CD, com o Shows no SESC Pompéia, São Paulo, cidades do interior paulista e Curitiba. Em 1996, grava seu terceiro disco solo, o CD “peçamme”, produção independente, lançado pelo selo Baratos Afins, onde apresenta parcerias com Itamar Assumpção (na sua maioria), Luli, Lucina, Alice Ruiz e Jerry Espíndola. E novamente uma parceria de Itamar com Alice: “Milágrimas”. A partir de 1996, apresenta uma safra de composições em parcerias, gravadas e interpretadas por outros artistas. As músicas: “Mulher o suficiente”, dela com Vera Mota (Canção do Amor – Tetê Espíndola); “Penso e Passo”, com Alice Ruiz, (Pouco pra mim – Carlos Navas); a parceria com Lucina “Maria pode crer” (Inteira pra mim – Lucina) e, em 1998, com o próprio Itamar Assumpção, “Já que tem que” (Pretobrás – Itamar Assumpção). Em janeiro 1998, grava com Tetê Espíndola (em dueto de vozes, craviola e violão) o CD “Anahí”, lançado pelo selo Dabliú (Distribuição Eldorado), em dezembro do mesmo ano. Tratando-se de um encontro de duas irmãs e artistas, o repertório vem de uma vivência e convivência em comum com a região em que nasceram, o Matogrosso do Sul. Atualmente reeditado pela MoviePlay. Em 2000, “Bomba H” de Itamar e Alzira é lançada com a gravação de Ney Matogrosso (no CD Olhos de Farol). No mesmo ano Alzira, lança pelo selo Dabliú, em homenagem à cantora e compositora Maysa o CD “Ninguém Pode Calar”, com releituras das composições da artista. Deste CD a faixa “Meu Mundo Caiu”, foi lançada em coletânea no CD “Divas do Brasil”, em Portugal. Mais uma vez, Alzira se revela nas composições em parceria com Itamar Assumpção no CD Vagabundo, de Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede, lançado em 2004, com as canções “Transpiração” e “Finalmente”. Em 2004, participou do Projeto Pixinguinha, junto com André Abujamra, Bebeto Alves e outros músicos brasileiros, na região norte do país e, em 2005, em Paris apresentando-se no projeto, “Ano do Brasil na França”. Em 2005, lança o CD “PARALELAS” (Duncan Discos). Músicas em parceria com a poeta paranaense Alice Ruiz, com participação de Zélia Duncan em três canções e um poema com Arnaldo Antunes. No show e no CD, Alice declama suas poesias, dando o clima para cada canção. O trabalho celebra 15 anos de parceria. Em 2006, com os irmãos Tetê e Jerry Espíndola, participa do projeto “Água dos Matos”, contemplado pela Natura Musical, que levou música e oficinas (voz) através dos Rios Cuiabá e Paraguai numa viagem de barco por 22 dias, no mês de junho, para as populações ribeirinhas. No final de 2005 e no início de 2006, Alzira se empenha numa nova parceria, com o poeta Arruda (autor de um blog, http://www.saudadedopapel.zip.net onde escreve há 4 anos) e passam a compor um repertório, resultando na criação do seu sétimo CD (que será lançado agora em 2007) “Alzira E”, pela Duncan Discos. A dupla foi selecionada, entre os 12 finalistas no Prêmio Visa Compositores, em São Paulo, agosto/setembro de 2006. Em setembro e outubro, apresenta-se na Sala Funarte (Brasília e Rio de Janeiro), fazendo uma prévia do CD “Alzira E”, acompanhada do baixista Pedro Marcondes e Adriano Magoo, na sanfona. O CD Alzira E é lançado pela Duncan Discos em 2007.

Arrigo Barnabé nasceu em Londrina, PR, em 14 de Setembro de 1951. Em São Paulo, cursou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (1971 a 1973) e a Escola de Comunicações e Artes (1974 a 1979), onde fez o curso de composição, no Departamento de Musica. Ainda na década de 1970, participou do Festival Universitário da TV Cultura com a musica Diversões eletrônicas. Lançou seu primeiro LP, Clara Crocodilo, em 1980.

Assista a um video de Arrigo Barnabé no Programa Fábrica do Som da década de 80:
http://youtu.be/zNT031If3TM

Excursionou pelo Brasil em 1983, ano em que compôs a Saga de Clara Crocodilo para a Orquestra Sinfônica Juvenil do Estado de São Paulo e grupo de rock. Ainda em 1983, recebeu prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Gramado RS pela musica do filme Janete, de Chico Botelho. No ano seguinte, obteve reconhecimento internacional com seu segundo disco, Tubarões voadores (selo Barclay), eleito pela revista francesa Jazz Hot como um dos melhores do mundo. Em 1985 foi premiado no Riocine Festival pela musica do filme Estrela nua, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins. Um ano depois, a APETESP deu-lhe o prêmio de melhor composição para teatro, pela musica de Santa Joana. No mesmo ano, lançou o LP Cidade oculta e recebeu prêmio de melhor trilha sonora no Riocine Festival, pela musica do filme Cidade oculta, de Chico Botelho. Dois anos depois, no Festival de Cinema de Brasília DF, ganhou o prêmio de melhor trilha sonora, pelo filme Vera, de Sérgio Toledo. No Festival de Cinema de Curitiba PR de 1988, ganhou o prêmio de melhor trilha sonora pela musica do filme Lua cheia, de Alain Fresnot. Com Itamar Assumpção, participou de shows por todo o Brasil, em 1991. No ano seguinte, lançou o CD Façanhas. Em 1993 apresentou-se no Podenville, em Berlim, Alemanha. Sua peça Nunca conheci quem tivesse levado porrada, para a Orquestra Jazz Sinfônica, banda de rock e quarteto de cordas, teve apresentação no Memorial da América Latina, em São Paulo, em 1994. Em 1995 participou do Primeiro Festival de Jazz e Música Latino-Americana, em Córdoba, Argentina. No Teatro Municipal, de São Paulo, apresentou sua peça Musica para dois pianos, percussão, quarteto de cordas e banda de rock. Trabalhou então com um grupo heterodoxo: um quinteto de percussão (do qual fazia parte), um quarteto de cordas de São Paulo e a Patife Band, de rock pesado, liderada por Paulo Barnabé, seu irmão. Apresentou-se em 1996 no Teatro Rival, na serie Encontros Notáveis, em duo de pianos com Paulo Braga. No mesmo ano, dividiu com Tetê Espíndola um show no Centro Cultural São Paulo. Com trabalho singular na musica brasileira, tem composições de características que vão do dodecafonismo a atonalidade. Sempre na fronteira entre o erudito contemporâneo e o popular, na década de 1990 escreveu quartetos de cordas e peças para a Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo. Em 1997, depois de quatro anos sem gravar, lançou o CD Ed Mort, do selo Rob Digital, trilha sonora do filme de mesmo nome, dirigido por Alain Fresnot.

Francisco José Itamar de Assumpção nasceu em Tietê, SP, em 13 de setembro de 1949. Itamar Assumpção já acompanhava Arrigo Barnabé ainda em Londrina, e participou da banda “Sabor de Veneno” em São Paulo. Experimentou a mistura dos sons do rock com o samba e o funk, criando uma linguagem urbana, trazendo ainda na bagagem sua experiência como ogã no terreiro de Candomblé de seu pai. Itamar compunha apoiado na linha do contrabaixo “componho para o contrabaixo. Não é harmonia, acorde, são só notas”, e foi diretamente responsável pela aproximação de Alice Ruiz à Vanguarda Paulista, quando mostrou ao público os sons dos versos da poeta. Foi o mais assíduo parceiro de Alice Ruiz, Alzira Espíndola e Ná Ozzetti e também parceiro de Tetê Espíndola, até a data de sua morte, em 2003. Poeta e músico genial, viveu à margem da mídia, recusando-se inclusive a editar suas músicas e a entrar no que chamava de sistema. Negro, foi parar na cadeia com 23 anos de idade, quando esperava um ônibus na Rodoviária de Londrina com sua mala e um toca-fitas. Passou cinco dias preso e incomunicável, num cubículo com mais uns quinze caras lá dentro, todos de cócoras porque não havia espaço para deitar. Itamar afirmou que não usou essa experiência em música, no entanto é interessante notar que a primeira banda que formou chamava-se Isca de Polícia, e até hoje, é difícil alguém pensar em Itamar Assumpção sem chamar pelo Nego Dito.  Faleceu vítima de câncer, em 12 de junho de 2003 – mais do que um grande compositor, o Brasil perdeu um gênio, um mito, aquele que mais inovou a música paulista.

Neste sábado, dia 05 de maio, às 18 hs. pela http://www.mkkwebradio.com.br, Paulo Ragassi & Anabel Bian, apesentam no SINTONIA TAH LIGADO!, o melhor da Vanguarda Paulista dos anos 80.

Assistam um video de Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia, gravado em 1983:

Vanguarda Paulista é uma denominação cunhada por alguns jornalistas e críticos de música da cidade de São Paulo, no início da década de 1980, que procuraram  aglutinar sob um mesmo rótulo trabalhos tão diferentes como os de Arrigo Barnabé,  Itamar Assumpção, grupo Rumo, Premeditando o Breque (Premê) e Língua de Trapo,  além de mais alguns nomes a eles ligados, tais como Susana Salles, Eliete Negreiros, Vânia Bastos, Hermelino Neder, Tetê Espíndola, entre outros. tais músicos apareceram na cena musical paulistana  como parte integrante da contracultura de fins da década de 1970. Ou seja, inseridos no  campo dos chamados  alternativos e  independentes, essa geração de compositores e intérpretes, grosso modo, surgiu a partir de 1979, quando o teatro Lira Paulistana –  localizado no bairro de Pinheiros em São Paulo – passou a funcionar como um agente  catalisador da cultura universitária underground da época, abrindo espaço para vários  novos músicos que “militavam” na cidade já há algum tempo, como é o caso da grande  maioria dos integrantes dessa  geração pós-tropicalista.